+A SAUDADE+
Era de tarde ao pôr do sol, a brisa
Vinha fagueira a remecher as flôres,
Iam velozes sobre a fronte liza
Do Tejo d'ouro de ideaes amores,
Ligeiros barcos, avesinhas mansas.
Desferidos em harpas geniaes,
Por virgens d'olhar meigo e loiras tranças,
Vinham threnos sublimes, ideaes.
O mundo todo pleno d'harmonia.
Eu, só, fitava a solidão do mar
Dominado d'ideal melancolia.
E que buscava então na immensidade?
É que me vinha fundo cruciar
O acerado espinho da saudade!
Algés, 1890