I
Caridade, quem és! Quem te inventou?
Para que serves, quaes os meios teus,
A tua agencia, assim, quem t'a arranjou,
Para que vens fallar-nos sempre em Deus!
Em Deus! Quando o universo elle creou
Legou a alguem riquezas ou tropheos!
Quaes foram os brazões, que bens doou?
Venderia indulgencias lá dos ceos?
Mentes, que nunca fez separações,
Nem fez a fome nem as privações,
O mundo concedeu á húmanidade.
Mas como é que ha então ricos e pobres?
Como é que existem os plebeus e os nobres?
Que significas pois, ó caridade?