+TEMPESTADE E BONANÇA+
Soprava rijamente o vento Norte
E caía um terrivel aguaceiro;
Enorme escuridão, lembrava a morte…
Mas não descria o rude marinheiro!
Rugia o mar e ao soffrer o corte
Da prôa revoltava-se altaneiro,
Varria o tombadilho. Sempre forte
Ia o vapor correndo audaz, ligeiro.
Echoava o trovão. Mas de repente
Ao vendaval succede-se a bonança,
O nevoeiro esvae-se lentamente,
A chuva pára, o oceano amansa;
O sol mostra seu disco reluzente,
Nos rostos pairam os sorrires d'esp'rança.
Lisboa 1891.