E

EBRIEDADE—Nome fino da bebedeira.

EÇA—Corpo sem alma... e sem corpo.

ECLECTICO—Diz-se dos sabios, quando não teem opinião sua.

ECONOMIA—Oh! almas caridosas, lembrae-vos do desgraçadinho que se chama Portugal, e mandae-lh'a por esmola.{90}

EDITOR—Quem quer que tu sejas, se lá, onde se roubam impunemente as obras dos auctores portuguezes, te luzir o olho por esta minha, manda-me ao menos metade do que ganhares com ella. Se o não fizeres, tornarei o teu nome tão celebre, n'outra edição, que acabarás por dar a tua popularidade a seiscentos milhões de diabos que te levem para as profundas. Amen.

EDUCAÇÃO—Parece impossivel como a maioria dos meninos se esquece d'ella quando chega a converter-se em homens grandes!

ELEIÇÕES—Feira das consciencias.

ELOGIO—Alçapão por onde quasi sempre cae o elogiado.

EMBATUCADO—Noticiarista invejoso,{91} diante da obra que tem de annunciar, se ella é boa.

EMPENHO—Escandalo que todos procuram mais ou menos.

EMPLASTO—Artigo novo em lei velha.

EMPREGO (RENDOSO)—Teta de vacca gorda.

—(PEQUENO) Rolhinha que se mette na bôca das creanças para não berrarem com fome.

EMPRESTIMO (GRATUITO)—Sedenho no cachaço da burra.

—(ONEROSO) Estocada, que póde tornar-se mutua, pela insolvabilidade do devedor.

—(COM GRANDE USURA) Caustico tratado por arrancamento da pelle. É mais doloroso{92} ás vezes para o curador do que para o curado.

EMULAÇÃO—Irmã gemea da inveja.

ENCADERNAÇÃO—Succede com as mulheres o mesmo que com os livros: Ás vezes são as que menos valem que teem mais ricos vestidos.

ENGRAIXADOR—Pessoa que vae longe, quando se dedica ás botas dos poderosos.

ENSABOADELLA—Locução sem propriedade. Usa-se indistinctamente para significar que alguem foi aos queixos de outrem, que o zurziu material ou moralmente.

ENSINO—A ordem volvida ao cahos. Meus meninos, admirae e respeitae o vosso{93} seculo, que para em tudo ser prodigioso até vos ensina o que não sabe!

ENTHUSIASMO—Fogo de vistas. Perdeu-se o segredo de o fabricar.

ENVENENADOR—Vendedor de vinhos. Tendeiro e mercieiro são synonymos.

ENVENENAMENTO—Simplificação.

EOLO—Sujeito que toca folles.

EPHEMERA—A lembrança do favor ou beneficio recebido. Quando se não apaga, acautelem-se com o beneficiado.

EPIGRAMMA—Torquezada.

ERUDITO—Ente que resuscita mortos.{94}

ESCADA—Revolução. Quando não faz subir ao poder, póde levar ao patibulo.

ESCANDALO—Ordem do dia.

ESCOLA—Introducção ao curso da tolice humana.

ESCORIA—Fructos podres da arvore social.

ESCORPIÃO—Velho libidinoso.

ESCOVAR—Bater beefs no lombo humano, com uma vara de marmelleiro.

ESCRIPTOR (PUBLICO)—Senhor Deus, misericordia! Todos o querem ser, excepto nas listas da contribuição industrial. Livrae-nos d'esta praga, fazendo com que elles paguem mais e escrevam menos.{95}

ESCRIVÃO—Fugi, rapazes! Se elle vos apanha, come-vos vivos, apesar das vossas navalhas.

—(DE FAZENDA) Oh, senhor, olhe que eu sempre fui seu amigo! Deixe-me passar pela malha por onde sempre se escapa certo Achilles, o qual ganha só por si muito mais do que nós todos os que temos pago até agora, incluindo os verdadeiros Achilles litterarios. Ou o inscreva a elle, ou nos tire a todos nós do inferno da matriz, salvo seja tal logar!

ESCRUPULO—Excesso de bagagem, que se deita fóra para chegar mais depressa ao fim da viagem.

ESMOLA—Imposto sobre o coração.

ESPANTALHO—Velho menino.

ESPECTRO—Amnistiado com saudades do desterro.{96}

ESPELHO—Denunciante que raros desprezam.

ESPERANÇA—Doudice dos poetas, e das pessoas que teem tios no Brazil.

—Flor do céu, que todos procuram inutilmente na terra.

ESPIRITUALISTA—Pessoa que prefere crer a ir verificar se a theoria é verdadeira.

ESPONJA—Devoto do deus Baccho.

ESQUECIMENTO—Balda de poderosos, segundo affirmam os pequenos despeitados.

—Desculpa dos que mettem na sua algibeira o relogio alheio.

ESTADISTA—Medico, que accumula tambem os officios de boticario e de enfermeiro,{97} e que não duvida dos seus remedios, nem mesmo quando vê morrer o doente.

ESTERILIDADE—Premio grande da loteria do matrimonio.

ESTOMAGO—Machina de fazer picardias, a si e aos outros.

EUPHONIA—Som que produzem em nossos ouvidos as palavras que nos louvam.

EXPLICAÇÕES (PARLAMENTARES)—Papas de linhaça.{98}
{99}