P

—Instrumento que estava a calhar nas costas dos amigos da união iberica, se ainda houvesse Brites de Almeida. Infelizmente as padeiras de hoje, incluindo as de Aljubarrota, preferem a pá de vitella, desossada.

PAÇAL ou PASSAL—O ultimo osso nacional que se está roendo. Desperdiçaram a farinha e comem agora o farélo!{196}

PACHORRAAlma mater da minha terra. Faz gosto ver como ella engorda a estudar todas as questões!

PACIENCIA—Virtude que ninguem se esquece de aconselhar áquelles a quem pisa os callos.

PACIENTE—Um, que se sentiu incommodado, momentos antes de ir para o patibulo, exclamou, ao ver entrar no seu carcere um homem vestido de preto:

—«Não é preciso; não é preciso! Prefiro que me enforquem já.»

—«Sou o executor da lei...»—respondeu como desculpando-se o carrasco.

—«Ah!—tornou o padecente muito consolado—Cuidei que era um medico!»

PADRE—Bilheteiro do céu. Escusam de o procurar sem dinheiro, que elle não abre a porta.{197}

PADROADO—Direito que podia ser uma das glorias portuguezas no oriente, e é uma das nossas vergonhas.

PAES (DA PATRIA)—Parricidas e anthropophagos inconscientes. Matam e comem a mãe aos pedaços.

PAGINA—Desculpem, se lhes impinjo esta!

PAIO—Ideal dos que amam... os do Alemtejo.

PAIXÃO—Bebedeira do sangue.

PALAVRA—A faca do pensamento.

PALAVRIADO—Flores do charlatanismo.{198}

PALCO—Parodia do paraizo de Mafoma: tem as houris pintadas.

PALHA—Artigo que devia ter muito maior consumo, attendendo ao grande numero dos que precisam d'ella.

PALHADA—Litteratura contemporanea, exceptuado o meu diccionario.

PALPITANTE—Coração de mulher, quando joga a primeira carta na banca do matrimonio.

PANACEA—A minha idéa de governo. A dos meus adversarios dá cabo do paiz em vez de o curar.

PANDIGA—Termo chulo, que tem dado em pantana com muita gente séria.{199}

PANTANA—Paiz para onde se vae pelo caminho da pandiga.

PAPAGAIO—Deputado da maioria, no dizer dos seus inimigos. Alguns nunca aprendem a fallar bem.

PAPÃO—O deficit do orçamento do estado em Portugal.

PARAIZO—Logar onde não ha livros, nem jornaes, nem prodigios de talento de nenhuma especie.

PARASITA—Verme intestinal das pessoas, generosas.

—Orchidéa que vive nas mesas ricas.

—Collega do piolho.

PARASITISMO—Doença que devora ministerios.{200}

PARENTES—Inimigos dados pela natureza.

PARLAMENTO—Boceta de Pandora.

—Casa onde não ha pão, todos ralham ninguem tem rasão.

—Casa onde todos querem entrar, e de onde poucos sabem sair.

PARLAPATICE—Mana da patacuada.

PARTIDO (POLITICO)—Quando opposição, grupo de seis homens e um cabo. Quando governo, exercito numeroso.

PARVALHEIRA—Região occidental da peninsula hispanica, onde os parvos grelam e florescem como os nabos.

PARVOICE—Uma divindade muito estimada.{201}

PASQUIM—Bofetada escripta.

PASSADO—Abysmo sem fundo, para onde olhamos sempre.

PASTA—Alma dos ministros... e do boticario Régnauld. A do ultimo é comtudo, menos peitoral, apesar de ser mais balsamica.

PASTEL—Visita querida para estomagos gulosos.

PASTELLEIRO—Concorrente de certos politicos, sobretudo se abusa do mesmo molho para tudo.

PASTOR—Lobo disfarçado.

PASTORA—Já não ha. Florian deu cabo d'ellas.{202}

PATEADA—Avesso de um bom panno. O direito são as palmas do applauso.

PATIFE—Homem de bem que se descuida.

PATINHAR—Cousa novamente introduzida, na qual a gente se diverte fazendo de urso e quebrando as pernas. É uma especie de natação, á maneira de pato, nos lagos, digo, nos salões dos theatros.

PATRIOTA—Homem que quer mamar.

PATRIOTISMO—Faro de emprego graúdo.

—Bordão a que se encosta a barriga.

PATRONATO—Cousa que eu nunca apanhei, mas que me consta ser muito boa, e por isso a recommendo.{203}

PAULADA—Prazer dos deuses... que a dão.

PAVÃO—Especie de passaro, depennado pelo senso commum, que não serve senão para dar gloria... aos alfaiates.

PAZ—Somnolencia da diplomacia.

—Hemistichio humano.

PÊA (PARA SELVAGENS)—Presilhas, gravata, botas e suspensorios.

—(PARA CIVILISADOS) Respeitar-se a si e aos outros. A liberdade (como hoje a entendem) vae dando cabo d'esta ultima.

PEÃO—Os pequenos jogam com os de pau, os grandes com, os de carne e osso. O segundo methodo é mais bonito, salvo para os que apanham.{204}

PECHINCHA—Uma boa moça com trezentos contos de réis. Não se ponham com escrupulos, que ha muito quem queira.

PEÇONHENTO—Sapo litterario. Arrasta-se pelos escriptorios dos jornaes, e como não póde subir, lança a baba para o ar com o intuito de salpicar tudo que está acima d'elle.

PECULATO—Descuido dos que mettem na sua algibeira o dinheiro do estado. Em certo paiz que eu sei, ha muitas propriedades, que bem podiam chamar-se, à romana, peculatorius.

PEDIR—Systema de escurraçar amigos.

PEITA—Uma cousa que acabou desde que todos queriam antes ser peitados do que peitar.{205}

PEIXEIRO—Repuxo de palavradas.

PELLE—Campo que quanto mais se cobre de flores mais repugnante parece. Nascem n'elle as bexigas, o sarampo e a escarlatina, sem fallar nas dez mil variedades de herpes, desde a sarna e o dartro até o cancro e a lepra. Felizes d'aquelles a quem tiram a pelle!

PELOURINHO—Diminutivo de pelouro. Os vereadores podem estar n'um e n'outro, conforme seus merecimentos.

PENEIRA—Em phrase popular são os vidros dos oculos com que vemos o proximo quando o escovâmos. (Veja o artigo: MÁ LINGUA.)

PENHOR—Garantia que por vezes se exige aos roubados no acto da expoliação.{206}

PENITENCIARIA—Renascimento da inquisição e da Bastilha, que zomba das revoluções e progressos do espirito humano.

PENNA—O buril que mais profundamente grava a idéa no coração dos seculos.

—Stylete, cuja ponta é mais rija que o diamante.

—Arma que honra o homem quando elle a emprega em defeza dos opprimidos; e que o deshonra quando serve a injustiça e a tyrannia.

PENSAMENTO—... O maior bem que Deus nos fez foi dar-nol-o de modo que ninguem o possa ver. Do contrario, comiamos-nos vivos uns aos outros.

PENSAR—Viver, asnear.

PENSIONARIOS—Vermes intestinaes.{207}

PEQUENO—Homem que se julga muito grande.

PEQUICE—Signal por onde os deuses que nós fazemos revelam a sua origem mortal.

PERDÃO—Applauso que pede bis aos patifes.

PERDER (A CABEÇA)—É gallicismo duplamente censuravel, porque, na maioria dos casos, as pessoas que o empregam já não teem pés nem cabeça.

PERDULARIO—Cavallo que deita a maior parte da palha fóra da manjadoura.

PÉRFIDO—Rato que roe o queijo da amisade.{208}

PERNA—Silencio!... Não profanemos os mysterios do algodão em rama.

PERNAS—Eu prefiro as do porco.

PERRARIA (PERRICE)—Um prazer feminino.

PERSEVEJO—O calumniador: morde e esconde-se, apenas sente que o procuram. É o mais covarde dos insectos nojentos.

—Companheiro de cama que nos roe a pelle.

PERU—Sujeito que attrahe peruas, das que trata o artigo immediato.

PERUA—Phantasia da linguistica popular, de sentido obscuro. Muitas pessoas respeitaveis a teem tomado, no intuito de ver se decifram o enigma, porém adormecem antes de tel-o adivinhado.{209}

PESCADA—Uma filha de Amphytrite, que eu amo, cozida, com azeite e vinagre, e até frita, com salada.

—A rosa do mar.

PESCADINHA—Imitadora das creanças que chucham no dedo, quando os cozinheiros lhe mettem o rabo na bôca. Peço perdão aos srs. grammaticos d'esta amphibologia. Não é ás creanças que o cozinheiro mette o rabo na bôca, é ás pescadinhas. O diacho da grammatica está a mangar commigo! Entenda-se que é o rabo das ditas pescadinhas que elle mette na sua bôca d'ellas, e não outro rabo qualquer.

PESTE—A doutrina dos nossos adversarios.

PETROLEO—Intelligencia dos candeeiros.{210}

PHAROL—Amigo que nos adverte.

—Olho das praias.

PHENOMENO—Ha de mostrar-se no dia em que um amigo me der cincoenta contos de réis.

PHILANTHROPO—Aquelle que não te desanca nem te rouba.

PHILOSOPHIA—Sciencia de confundir tudo.

—Arte de não crer em cousa nenhuma.

PHOTOGRAPHIA—Calamidade que propaga as caras feias.

PIANO—Maravilha do engenho, antes de vulgarisado. Agora, machina infernal de machucar paciencias e ouvidos. Oh! jovens prodigios, que os papás e as mamãs, repletas{211} de parvoice e de jubilo odioso, impingem ás visitas infelizes, eu vos arrenego!

PIMENTA—Artigo que, se não fosse a minha modestia, eu affirmaria existir n'este diccionario em grande abundancia e para fazer arder todos os paladares.

PINOTE—Expansão por mimica.

PINTAR-SE—Arte de não verificar as datas.

PINTURA—Depois que se usa a da cara e a dos cabellos, já ninguem presta attenção ás outras.

—Arte de engraixar cabeças.

PIPA (DE VINHO)—Gaiola do jubilo.

PIRATA—Caçador de noivas ricas.{212}

PITEIRA—Planta-se nos vallados, e deita gente nas vallas[5].

PLASTICA—A arte de modelar... com pasta de algodão.

PLEBEU—Cidadão que tem noventa probabilidades por cento para subir, emquanto que o nobre tem o mesmo numero d'ellas para descer.

POBRE—Bedelho de cães e gatos.

POÇO—Furo por onde quasi sempre sae o dinheiro e não entra agua.

POEMA—Caldeirada de versos. Eu prefiro as de enguia.

POESIA—É como cada um a sente e{213} entende. Para uns resume-se n'um bom pichel de vinho novo, diante de um lombo assado; para outros é a lua reflectindo-se nas aguas serenas dos lagos; para a mãe, o riso do filhinho no berço; para o pae, o não ouvir chorar a creança quando quer trabalhar; para o soldado, não ter de ir á guerra; para o empregado, um feriado; para a donzella, um noivo; para o agiota, noventa e nove por cento; para o ministro, a pasta indisputada e os applausos da maioria; para o marinheiro, o bom vento; para o medico, um caso de doença bem horrivel e bem desconhecida; para o fumador, optimos charutos; para o viajante, mundos desconhecidos; para a mulher, um vestido como não tenha nenhuma das suas amigas; para o marido, uma familia que não lhe peça dinheiro; para o janota, objectos que pôr no prego e botequim que fie cognac; para as actrizes, palmas e admiradores ricos; para os escrevinhadores, quem lisonjeie as suas inepcias e semsaborias;{214} para os maus auctores, quem lhes louve a estupidez e a ignorancia; para os emprezarios, auctores famintos; para os inuteis, um fato bem feito... para mim a poesia é o silencio, a solidão e o somno.

POETA—Simplorio.

—Esculptor que desenha no ar.

—Pyrilampo que segrega pieguices luminosas.

—Ente que se diz incomprehendido, e que o é realmente quando pretende conquistar o mundo em verso. Desgraçado! Se queres que te entendam, falla na boa e classica prosa do peru trufado e do vinho da Madeira, que tu não detestas... nem eu.

POLEIRO—Pomo de discordia. E cada vez ha mais gallos!

POLICIA (DE LISBOA)—Um mytho.{215}

POLIDEZ—Fazenda de bonita apparencia.

POLITICA—Machina de moer consciencias.

—Bailarina pervertida pelas contradicções e caprichos dos compositores de dansa.

PONTO—Nó dado na barriga dos empregados, quando se suspendem os pagamentos.

PONTUAÇÃO—Os alfinetes de pregar a palavra escripta.

PORCO—Sonho das mulheres pallidas e nervosas.

—Um curso de philosophia ambulante. Meditem e digam se não é verdade. Comido pelos que mais o amam! Em quem se ha de fiar a pobre gente suina?!{216}

PORTEIRO (DE SECRETARIA)—Cerbero ministerial.

PORTUGUEZ—Lingua que todos fallam e ninguem sabe.

POSSIDONIO—Cousa feia, parvoíce.

POSTIÇO—Oh, minhas senhoras... mil perdões! É o meu triste officio de escriptor quem me obriga, sem eu querer, contra todos os meus sentimentos e desejos, a traçar aqui estas linhas, que até fazem córar o lapis de oiro com que as escrevo! Acaso vv. ex.as já reflectiram bem na situação em que se collocam, quando entram n'uma casa de modas e pedem (a um homem, santo Deus! E ás vezes a que homem!) certo objecto, que ali se vê ostentosamente pendurado nas armações pelas fitas com que ha de ser preso ás cinturas de vv. ex.as?! Essa cousa, cujo aspecto me faz baixar os olhos, e me dá{217} ao rosto a côr de lagosta cozida, chamava-se um... francez. A casta linguagem da elegancia dá-lhe hoje o nome de tournure. Mas nem por isso o traste deixa de ser para vv. ex.as porem sobre os quadris, com o fim de fingirem (oh! moda!) que teem um... muito grande. Mas, minhas senhoras, para que serve a vv. ex.as um... muito grande, que (de mais a mais!) é postiço?! O impudor (desculpem a dureza da phrase) o impudor não está no tamanho artificial do trazeiro. A natureza poderia, sem sacrificio, ter-lhes feito a vontade, dotando-as com um... verdadeiro, de mais vastas proporções ainda do que o fingido. Onde o caso se me afigura espinhoso para as pessoas medianamente graves, é quando o caixeiro (no uso pleno dos seus direitos de fazer valer a mercadoria) se permitte a familiaridade de passar complacentemente a mão sobre a rotondidade do objecto, e medindo com a vista o posterior de vv. ex.as, lhes diz sorrindo:{218}

—«Este deve ficar-lhe bem!»

A primeira vez que presenceei uma scena d'estas caí para traz, sobre uma cadeira, fulminado de vergonha, pelas palavras do vendedor. Na minha candida ingenuidade pensei que a compradora do traste em questão ia esmagar o homem com um d'esses olhares olympicos, que as grandes actrizes usam uma vez na vida, quando representam de Lucrecias, em noite de beneficio. Mas a senhora volveu, visivelmente lisonjeada, e rindo tambem:

—«Acha?...»

Era uma pessoa de alta sociedade, como se diz em calão aristocratico, mãe de familia, e trajada como uma rainha. Comprou o sobresalente, que, depois de embrulhado, um lacaio levou para a carruagem, e despediu-se, com uma cortezia e um riso amavel do logista e dos seus empregados. Abysmado por tamanho rebaixamento moral, fiquei com ar de ingenuo de theatro particular, ruminando{219} commigo os seguintes pontos, que respeitosamente submetto á critica de vv. ex.as:

—Se uma senhora, mãe de familia, se preoccupa com artificios e modas ridiculas, enchumaçando-se, pintando-se, contrafazendo-se, e mentindo a si e aos outros, persuadida de que alguem acredita na côr dos seus cabellos e na altura dos seus seios e trazeiro, n'um tempo em que raros são os que se não pintam e enchumaçam, que educação dará a seus filhos com esses exemplos?! Começa desde o berço a leval-os por um caminho, do qual nunca mais poderão sair—o da impostura; costuma-os ao fingimento, porque lhes serve de modelo do modo mais funesto e contagioso. E quando elles chegarem á idade de pensar, será sua propria mãe a primeira pessoa a quem percam o respeito, que ella não soube arreigar-lhes n'alma com um procedimento sério, modesto, franco e simples. Em vez de boas e sãs lições de religião, de moral, de probidade e honra, deu-lhes{220} noções falsas de tudo, conhecimentos superficiaes e idéas incompletas; enchumaçou-lhes a rasão com crenças postiças, envernizou-os com uma educação viciosa e lançou-os na circulação, pervertidos antes de tempo, como moveis novos feitos de madeira já carunchosa. São estes productos que compõem a maioria da sociedade actual, em todas as nações que se dizem cultas. D'elles saem os professores, os medicos, os padres, os juizes, os deputados e os ministros!...

Minhas senhoras, rogo a v. ex.as que se dignem reflectir um instante n'este problema:—Que póde esperar-se para o progresso e aperfeiçoamento da especie humana, de homens que vêem suas mães a comprar... francezes?—O que póde sair de um trazeiro postiço, a não ser o rabo (cauda) de seis metros, que principia a substituil-o?

Se vv. ex.as entenderem que vale a pena, meditem um pouco este assumpto, sem se prenderem com a circumstancia de ter sido{221} o meu diccionario, e não qualquer outra moda que chamou para elle a sua attenção.

POSTURA—Devaneio municipal para recreio dos policias.

POVO—Pau para toda a obra. Se, como o boi, elle não desconhecesse a sua força, outro gallo lhe cantaria. Em todo o caso, tomem cuidado não lhes caia em cima, porque pesa muito.

PRATICO (HOMEM)—Não se fiem n'elle. D'antes pediam-se homens praticos a proposito de tudo. Agora já todos se julgam experimentados, e não fazem senão dar com as cangalhas em terra. Cautela! Sobretudo com mau tempo duvidem da sua sciencia. Eu, em me cheirando a especialista, pés para que te quero! Se teem amor á pelle, façam outro tanto.{222}

PRÉGADOR (MAU)—Machina de moer senso commum.

PRESENTE—Indifferença de que ámanhã teremos remorsos e saudades.

—Cousa que se dava antigamente. Hoje é apenas tempo dos verbos.

—Leitor benevolo, se acaso estás costumado a mandar-me alguns, que o teu zelo se não esfrie com esta generalidade. Não era a ti que eu me dirigia, mas sim aos sovinas que nunca me deram nada.

—Chave com que ás vezes se abre a porta do futuro.

PRESILHAS—Escotas das calças.

PRIMAVERA—Uma prova da immortalidade. Nada morre: tudo se renova e transforma. Se duvidam, reparem nos abusos que se reproduzem incessantemente na nossa terra.{223}

PRIMITIVO—Sujeito que não corresponde a um comprimento.

PRINCIPIOS—Fins de muita gente.

PROBIDADE—Tolice que hoje só se tem por esquecimento.

PROCESSO (JUDICIAL)—Duello em que ambos os contendores ficam feridos.

PROSA—Pão da idéa, da qual a poesia é o bolo.

PROSTITUIÇÃO—Fleimão ardente, que nasce nos costumes.

PROTECTOR—Estaca que se põe ás plantas para se apoiarem. Ás vezes cae sobre ellas e quebra-as.

PROTECTORES (DIREITOS)—Testemunho{224} irrecusavel da capacidade dos economistas, que por amor de quatro compadres fazem gemer quatro milhões de almas.

—Um gosto caracteristico da nação portugueza: á obrigar os seus subditos a gastar tudo mau pelo dobro do que custa o bom, persuadida de que assim faz acreditar aos estranhos que nós temos industria e artes. Já é... simplicidade!

PROXIMO—O que está mais perto. Cuidado com elle!

PRUDENCIA—A melhor arma que nós estragâmos convertendo-a em pachorra.

PRUDENTE—Aquelle que mata outro em vez de se matar a si.

PUDOR—Vestuario da alma.

PULHA—Mulher que pinta o cabello e usa dentes postiços.{225}

PURGANTE—Insurgente dos intestinos.

PURGATORIO—Um dia de eleições para os candidatos.

—Calabouço da policia.

—Sedlitz das almas.{226}
{227}

[5] O povo chama piteira á bebedeira.