IX

—Mas não podes. Como queres tu?...
—Não! Estou doida, efectivamente... Mas não me deixas?... Não estás zangado comigo?
—Zangado, eu? Que ideia... Espera um momento.
Foi dentro, ao escritório, abriu o cofre, tirou um maço de notas, felicitando-se pelo ardil encontrado, satisfeito na sua covardia por cortar com Branca mais suavemente do que pensava; e, reentrando na sala meteu-lhe o dinheiro na saquinha de mão, murmurando:
—Leva! Podes ter precisão dêle, enquanto eu não regresso...
—Mas!...
—Nada de recusas. Ordeno eu. E agora vai, e sê-me fiel. Mandar-te hei noticias minhas. Dá-me um beijo e adeus!
Quando Branca desceu a escada e entrou apressadamente no automóvel, que largou numa corrida vertiginosa, Frederico soltou um suspiro de alívio...

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Miramar, 9 de novembro de 1916.