NOTAS

[1] O sr. commendador Guilherme João Carlos Henriques, publicou ha annos um bem elaborado livro: Alemquer e seu concelho. É esta uma obra puramente local, que informa todas as particularidades que dizem respeito á villa e suas freguezias, bem como aos outros pontos ruraes.

A Historia local d’Alemquer está bem entregue ao sr. Guilherme Henriques e mesmo que haja alguem que se lembre hoje de escrevel-a, não fará mais do que ampliar o seu trabalho, ficando assim com a gloria incompleta. Não serei eu que sou seu amigo e que além d’isso, me prezo de ser leal, que lhe usurparei o logar; antes renovo aqui o pedido, que ha tempos fiz a sua ex.ᵃ, de uma segunda edição, augmentada, do seu livro, o que traria grande vantagem para os estudiosos e para os que prezam o bom nome da velha capital da Casa das Rainhas.

Como sua ex.ᵃ verá pela Advertencia e pelo texto d’esta obra, a parte local está só no titulo d’ella. A minha esphera d’acção é outra muito differente; sou e serei um cabouqueiro, como me recommenda Oliveira Martins, mas no campo da Historia ha numerosas minas de diamantes.

Esta nota não é dirigida ao espirito intelligente e cavalheiresco de sua ex.ᵃ, mas uma simples prevenção contra os mal intencionados ou ignorantes, que queiram desvirtuar as acções de cada um.

[2] Archivo Nacional da Torre do Tombo, inquirições de D. Diniz; Livro 10, fl. 22 e 24 verso.

[3] Figanière, obra citada, pag. 62.

[4] Torre do Tombo, chancellaria de D. Diniz, livro 1.ᵒ fl. 41.

[5] O original d’este documento encontrou-o Figanière no cartorio de Santa Clara, achando-se registado na chancellaria de D. Diniz, livro 3.ᵒ, fl. 33.

[6] Torre do Tombo, gaveta 13, maço 9, n.ᵒ 46.

[7] Torre do Tombo, chancellaria de D. Fernando, Livro 1.ᵒ, fl. 107.

[8] Com o desenvolvimento do commercio nas conquistas, tiveram as Rainhas varias rendas sobre diversas mercadorias.

[9] D. José Barbosa diz que o casamento de D. Affonso II se realisou em 1201; mas Alexandre Herculano affirma que só teve logar nos fins de 1208, ou principios de 1209.

[10] De todos os reis de Portugal, exceptuando os Filippes, os unicos que estão sepultados no estrangeiro, são dois bem desgraçados: D. Sancho II e D. Miguel I.

[11] O diploma é datado de Elvas, 25 de fevereiro de 1267, e acha-se na Torre do Tombo, gaveta 13, maço 9, n.ᵒ 19.

[12] Torre do Tombo, chancellaria de D. Affonso III, livro 1.ᵒ fl. 141.

[13] D. José Barbosa, no Catalogo das Rainhas de Portugal, diz que a rainha D. Beatriz de Gusmão falleceu a 27 de outubro de 1303; porém, o sr. João Pedro da Costa Basto encontrou na Torre do Tombo a data acima indicada, que Figanière menciona na sua obra Memorias das Rainhas de Portugal, pag. 121. Vid. Notas e documentos.

[14] D. Izabel d’Aragão foi beatificada por Leão X a 15 de abril de 1516 e canonisada por Urbano VIII a 25 de maio de 1625.

[15] Não são concordes os historiadores quanto ao fallecimento de D. Constança. D. José Barbosa affirma que falleceu aos 13 de novembro de 1345; mas o Obituario de S. Bartholomeu diz que a morte teve logar no dia 27 de janeiro de 1349. Vid. Notas e documentos.

[16] D. Leonor Telles está sepultada no mosteiro de Nossa Senhora da Mercê de Valladolid.

[17] El-rei D. João I teve além do duque de Bragança, D. Affonso, uma filha bastarda, que foi D. Beatriz, que casou em 1405 com Thomaz Fitz Alan, conde de Arundel, primo da rainha D. Filippa de Lencastre. A mãe d’estes filhos foi Ignez Pires, que depois foi commendadeira de Santos.

[18] A 24 de julho de 1429, o senhor de Roubaix, como procurador do duque de Borgonha, recebia em Lisboa a infanta D. Isabel.

[19] O infante D. Pedro despozára em 1428 D. Izabel, filha de Jayme II, d’Urgel, e da infanta D. Izabel de Aragão.

[20] Veja-se Notas e documentos.

[21] Jarreteira; assim se dizia no tempo.

[22] Do casamento do infante D. Pedro com D. Izabel d’Urgel, houveram os seguintes filhos: D. Pedro, condestavel, poeta e Mestre de Aviz; D. Izabel, rainha de Portugal; D. Filippa, recolhida em Odivellas; D. Brites, mulher do duque Cléves, senhor de Ravensteyn; D. João, principe d’Antiochia; e D. Jayme, cardeal. Vid. Notas e documentos.

[23] Assim o affirma D. José Barbosa, no seu Catalogo, tantas vezes citado, e o P.ᵉ Francisco de Santa Maria na Chronica dos Conegos Seculares de S. João Evangelista; porém, D. Antonio Caetano de Souza, na Historia Genealogica, tomo 3.ᵒ, cap. 1.ᵒ, pag. 63, diz que o casamento de Affonso V teve logar em 1447, em vista do seu contracto que publicamos nas Notas e documentos. Por esse tractado se vê que o consorcio se realisou um anno antes do que lhe é marcado por Barbosa e pelo P.ᵉ Francisco de Santa Maria.

[24] A catastrophe de Alfarrobeira deu-se a 20 de maio de 1449; ficando o corpo do infante trez dias insepulto, até que o recolheram para a egreja d’Alverca, sendo d’ahi mudado para o castello d’Abrantes, depois para o mosteiro de Santo Eloy e ultimamente para a Batalha. Vid. Historia Genealogica da Casa Real, por D. Antonio Caetano de Souza, tomo 2.ᵒ, cap. 2.ᵒ, pag. 77.

[25] D. Leonor de Lencastre foi dotada pelo duque de Vizeu, D. Diogo, seu irmão, com a villa de Lagos e seu castello, direitos e rendas; mais tarde recebeu de seu marido a doação de Alemquer e d’outras villas, que el-rei D. Manuel lhe confirmou em 24 de março de 1496. Vid. as Notas e documentos.

[26] Em 1495 imprimiu-se a Vita Christi; em 1505, os Autos dos Apostolos; em 1515, o Boosco deleytoso; e em 1518, o Espelho de Christiania.

[27] Jaz sepultada no convento de Santa Izabel de Toledo.

[28] O principe D. Miguel nasceu em Saragoça a 24 de agosto de 1498, e jaz sepultado na mesma cidade.

[29] Vasco da Gama regressou da sua viagem em 29 de julho ou de agosto de 1499.

[30] Depois ordenou-se que seu filho Braz d’Albuquerque tomasse em sua honra o nome de Affonso. Foi este o auctor dos Commentarios d’Affonso d’Albuquerque.

[31] Veja-se Notas e documentos.

[32] A rainha D. Maria, segunda esposa de D. Manuel, nasceu em Cordova, aos 29 de junho de 1482 e recebeu-se por procuração com o rei de Portugal a 24 de agosto de 1500 e por palavra de presente na epocha acima mencionada. Como não chegou a sobreviver a sua cunhada D. Leonor de Lencastre nunca possuiu a Casa das Rainhas, tendo por mercê especial de seu marido a cidade de Vizeu e a villa de Montemór-o-Novo. (vid. Historia Genealogica, tomo 3.ᵒ, cap. V, pag. 229). Além d’estas terras, teve tambem o padroado da egreja de S. Pedro de Lordosa, varias tenças e a villa de Torres Vedras, que, como se verá nos documentos, não pertenceu á esposa de D. João II, como por lapso dissemos a paginas 6.

[33] O sr. Luciano Cordeiro o demonstrou cabalmente no seu livro A Segunda Duqueza; bem como destroe a lenda dos amores de D. João III com a madrasta. Louvores sejam dados ao illustre escriptor.

[34] D. Leonor d’Austria nasceu em Louvain a 15 de novembro de 1498.

[35] Veja-se a excellente obra do conde de Villa Franca, D. João I e a alliança ingleza, pag. 281.

A infanta D. Maria foi uma das mais sabias e virtuosas princezas do seu tempo, e um dos mais brilhantes vultos da Renascença em Portugal. Nas Notas e documentos publicamos uns ligeiros traços biographicos d’esta senhora; bem como o soneto com que Camões celebrou a sua morte.

[36] Está sepultada no Escurial.

[37] Vid. D. José Barbosa, Catalogo das rainhas de Portugal. O casamento já se tinha realisado por procuração no Toro, a 11 de janeiro do mesmo anno. Historia Genealogica, livro 4.ᵒ, cap. 15.ᵒ, pag. 55.

[38] Lusiadas, canto IV, est. 95.

[39] El-Rei D. Manuel teve da rainha D. Maria, sua segunda mulher, além de outros filhos, o infante D. Duarte que nasceu em Lisboa, aos 7 de septembro de 1515 e casou em Villa Viçosa (terça feira, 24 de abril de 1537) com D. Izabel de Bragança filha do duque D. Jayme e de D. Leonor de Mendóça, recebendo n’essa occasião o titulo de duque de Guimarães; d’este matrimonio houveram duas filhas: D. Catharina e D. Maria, que desposou o principe de Parma, Rainuncio. D. Catharina foi desde tenra edade destinada para mulher de seu primo o duque D. João I, realisando-se o consorcio aos 8 de dezembro de 1563. O seu filho primogenito foi D. Theodosio, mais tarde segundo do nome e pae d’el-rei D. João IV. D. Catharina falleceu a 15 de novembro de 1614, respeitada dos soberanos de todas as nações, tratada como egual pelas testas coroadas, recebendo o tratamento d’Alteza e preparando o futuro poderoso da Casa de Bragança. Vid. Hist. do Inf. D. Duarte, do sr. José Ramos Coelho, tomo I, Le Portugal et la maison de Bragança, por A. A. Teixeira de Vasconcellos e Historia Geneal. da Casa Real, de D. Antonio C. de Souza, tomo 6.ᵒ.

[40] Sr. José Ramos Coelho, pag. 46 da obra citada.

[41] Torre do Tombo, collecção de S. Vicente, volumes XX, fl. 204. Vid. Notas e documentos.

[42] A princeza D. Izabel, filha de D. Pedro II e de D. Maria Francisca Izabel de Saboya, nasceu em Lisboa a 6 de janeiro de 1669; sendo jurada herdeira da corôa, nas côrtes de 27 de janeiro de 1674. Esteve justo o seu casamento com o duque de Saboya, Victor Amadeu, seu primo; o qual recusou este enlace, allegando motivos de doença. Dizem a princeza se apaixonara de tal modo que repudiou os dois pretendentes que lhe solicitavam a mão: o grão-duque da Toscana e o duque de Parma; vindo a fallecer, solteira, aos 21 de outubro de 1690.

[43] Serviram de procuradores de Portugal, o duque de Cadaval, o marquez de Niza, o marquez de Marialva, o Marquez de Gouvêa, o conde de Miranda e o secretario d’Estado, Pedro Vieira da Silva.

[44] «Foy El-Rey D. Pedro de estatura agigantada, cor trigueira, olhos grandes, nariz aquilino, bocca grossa, & cabello preto. Teve forças extraordinarias, do que fazia provas admiraveis. Excedeo a todos os do seu tempo na sciencia de andar a cavallo & correr touros (sic). Era incançavel na frequencia com que ouvia aõs seus Vassallos, para o que não havia horas, nem tempo reservado.» (D. José Barbosa, Elogio dos Reis de Portugal, pag. 200).

[45] D. Maria Sophia de Neuburgo está sepultada em S. Vicente de Fóra.

[46] Na batalha de Matapan a 19 de julho de 1717 se distinguiram os nossos almirantes, conde do Rio Grande e conde de S. Vicente.

[47] Tradições de familia que não vem a proposito aqui relatar, nos tornam devedores á memoria de D. João V.

[48] Este senhor do Cadaval era D. João de Castro que foi casado com D. Leonor da Cunha, depois esposa do grande João das Regras. Do matrimonio do duque D. Fernando com D. Joanna de Castro, nasceram nove filhos; dos quaes um (D. Antonio) não sobreviveu. Entre os que vingaram, conta-se D. Alvaro que teve o tratamento de Senhor e casou com D. Filippa de Mello, herdeira da casa dos condes d’Olivença. D. Alvaro é o progenitor dos duques de Cadaval.

[49] Acha-se publicado do tomo 5.ᵒ das Provas da Historia genealogica da Casa Real, pag. 141. No mesmo tomo estão publicados os seguintes tractados de casamentos:—d’el-rei D. Affonso VI com a rainha D. Maria Francisca (pag. 10); de D. Pedro II com a rainha D. Maria Sophia de Neubourg (pag. 73).

[50] Era então embaixador de Portugal em Madrid Antonio Guedes Pereira.

[51] Veja o tractado do casamento de D. José publicado no tomo 5.ᵒ das Provas da Historia genealogica da Casa Real, pag. 316; e no Fasto de Hymeneo, ou Historia Panegyrica dos desposorios dos Fidellissimos Reys de Portugal, nossos Senhores, D. Joseph I e D. Maria Anna Victoria de Bourbon, por Fr. Joseph da Natividade, pregador geral da ordem dos Pregadores, na provincia de Portugal; pag. 18.

[52] Sebastião José de Carvalho e Mello nasceu em Lisboa, na casa da rua Formosa, a 13 de maio de 1699 e foi filho de Manuel de Carvalho e Atayde, commendador na Ordem de Christo, Capitão de Cavallaria da côrte, senhor da Quinta da Granja, e de D. Thereza Luisa de Mendonça, filha de João d’Almada e Mello, commissario geral de cavallaria na Beira, alcaide-mór de Palmella, senhor e administrador do morgado dos Olivaes e do Souto d’El-Rei. Foi seu padrinho, seu avô paterno, Sebastião de Carvalho e Mello, Capitão de Cavallos, senhor dos morgados de Sernancelhe e da Quinta da Granja, padroeiro da egreja de N. Senhora das Mercês, onde jaz sepultado, tendo vivido 110 annos. Era, portanto, o marquez de Pombal fidalgo pelo lado paterno e materno, pertencendo á fidalguia de provincia (a não titular, que não tinha nenhum cargo superior na côrte), a que, ao tempo, pertenciam tambem a maior parte das familias que hoje formam a aristocracia portugueza. O titulo de conde d’Oeiras foi-lhe conferido em 15 de julho de 1759 e o de marquez de Pombal a 16 de septembro de 1769.

[53] El-Rei D. José tinha nascido a 6 de junho de 1714, e o conde d’Obidos a 20 de julho de 1699, tendo por consequencia mais quinze annos que o monarcha. Esta differença explica a phrase do fidalgo, quando Sebastião de Carvalho lhe veio pedir a sua protecção: pois o menino é chocalheiro?!

[54] O original d’este documento encontra-se na torre do Tombo, liv. 5.ᵒ de D. Affonso IV, de afforamentos, doações etc., pag. 46 verso.

[55] Diz-se geralmente que foi D. Affonso V quem concedeu o ducado de Bragança a seu tio o conde de Barcellos; é falsa, porém, tal affirmativa. A doação data de 1442, durante a regencia de D. Pedro, embora a carta só fosse requerida mezes depois do desastre d’Alfarrobeira.

[56] O duque de Coimbra, D. Jorge, foi o progenitor da casa d’Aveiro, recebendo seu filho, D. João, o titulo de duque d’aquella localidade.