RELATORIO
Quando regressei a Gouveia, da viagem que fiz ás terras de Gungunhana, julguei conveniente não partir para Manica sem conferenciar com Manuel Antonio de Sousa que tinha ido a Moçambique, e que, demorado de semana para semana em Quelimane, só chegou a Gouveia no dia 17 de agosto.
N'esse mesmo dia chegaram tambem ahi uns pretos vindos de Manica, dizendo que acabavam de apparecer em Macequece uns landins perguntando por fazendas minhas que deviam ali estar, e que só por se acharem bem guardadas e por ter a gente do paiz assegurado que taes fazendas não existiam, é que provavelmente os landins não roubaram algumas.
Não vi n'esta noticia motivo que me impedisse a partida para Macequece, mas em attenção á opinião de Manuel Antonio e de um principe ou grande de Manica, meu antigo guia n'essa terra, que ha algum tempo esperava Manuel Antonio em Gouveia, resolvi não ir para Manica, sem ter conhecimento do resultado da missão que Gungunhana tinha enviado a Lisboa, e aproveitar o tempo da demora forçada para visitar um paiz a que me referi no relatorio da viagem ás terras dos landins, e onde de facto importava com mais urgencia chegar do que á antiga feira portugueza de Manica, objectivo principal da missão de que fui encarregado.
Por estes motivos, resolvi partir sem demora n'esta direcção.{4}