INICIOS DA RENASCENÇA

Joaquim Rasteiro

Palacio e Quinta
DA
BACALHÔA

AZEITÃO

Em
PORTUGAL

1898

DESENHOS DE A Blanc



INICIOS DA RENASCENÇA EM PORTUGAL

QUINTA E PALACIO DA BACALHÔA
EM
AZEITÃO

MONOGRAPHIA HISTORICO-ARTISTICA
POR
JOAQUIM RASTEIRO
Membro da commissão dos monumentos nacionaes

LISBOA
IMPRENSA NACIONAL
1895


Palácio / Quinta da Bacalhôa

A quinta de Vila Fresca foi paço real. Foi comprada pelo infante D. João, filho de D. João I, em 1427. Herdou-a sua filha, D. Brites, mãe do rei D. Manuel, que alargou as casas aí construídas e as usou durante as inúmeras paragens de repouso feitas no percurso entre o seu ducado de Beja e a corte.

Com Brás de Albuquerque—a quem o rei D. Manuel mandou mudar o nome para o do seu pai, Afonso de Albuquerque, para que a lenda do grande conquistador da Índia se eternizasse—esta quinta de recreio transformou-se numa verdadeira homenagem ao herói do Oriente. Num programa renascentista, perfumado pelos ventos das especiarias, enaltecem-se “aqueles que da lei da morte se foram libertando”, honrando a figura do Grande Albuquerque. Nesses longínquos tempos do século XVI construíram-se casas dedicadas aos prazeres da vida, juntaram-se espaços simbólicos e plantou-se uma vinha.

O vinho, símbolo de ressurreição, da natureza que se renova, dá uma prova de eternidade. O Bacalhôa continua os desejos idealizados por Brás de Albuquerque. Casa o prazer da contemplação com o gosto do eterno.

O extremo prazer de mistério e de descoberta, que ao longo dos últimos anos me tem feito viver uma dedicação especial ao Palácio e Quinta da Bacalhôa, levou-me a passar um pouco da sua história, através destes exemplares que partilho consigo.

Deste momento artístico de maior relevo em Portugal, apresentamos nesta oferta, o passado, o presente e o futuro da sua história com as verdadeiras reproduções das imagens existentes.

Convido-o a saborear os famosos vinhos do Palácio da Bacalhôa e Quinta da Bacalhôa, mostrando que o Palácio e Quinta da Bacalhôa continuam a marcar a história contemporânea de Portugal.

J. M. R. Berardo.


POUCAS PALAVRAS EXPLICATIVAS

Não foi meu propósito fazer um livro. A admiração estranha pelas edificações da quinta de Albuquerque, filho, chamou os meus reparos; enamorei-me de tudo aquilo, busquei conhecer-lhe a urdidura geral, e estudar os acessórios, auxiliando-me das publicações estrangeiras ou portuguesas, que podiam servir-me e havia à mão; inquiri a história do edifício, e de tudo tomei notas para própria lição. Trabalho tecido a furto nos momentos de ócio, vindos de longe a longe, não tinha pretensões de qualquer espécie, mas poderia aproveitar aos curiosos, por encontrarem junto o que estava disperso por muitos lugares. Amigos meus incitaram-me à publicação daquelas notas, e o Jornal do Comércio quis ser benévolo para comigo, aceitando uma série de artigos, que estampou em 1892. Os meus bons colegas da commissão dos monumentos nacionais julgaram que naqueles artigos alguma coisa de aproveitável podia haver, e ordenaram a sua refundição a modo de monografia, como vai aparecer.

Tanto favor e bom querer impõem-me o devido reconhecimento.

Azeitão, 1895.

Joaquim Rasteiro.


INICIOS DA RENASCENÇA EM PORTUGAL
QUINTA E PALACIO DA BACALHÔA, EM AZEITÃO


PARTE PRIMEIRA
História do edifício—Estilo arquitetónico das construções Majólicas policromas