XI

Os Costas, atuais senhores da quinta e palácio dos Albuquerques em Azeitão

Querem alguns que os Costas se encontrassem em Portugal anteriormente à formação deste reino, outros fazem-nos coevos de D. Afonso Henriques. Uns e outros dão-lhes por solar a quinta ou aldeia da Costa, em Estarreja, ou, como então se dizia, na comarca da Esgueira.

Com bons fundamentos alguns outros genealogistas não vão tão longe, e fazem dos Costas um ramo da casa de Lemos; dizem-nos oriundos da Galiza e vindos para Portugal no reinado de D. Fernando I.

Vou citar um genealogista, que, mais prudente, não antecede os tempos de D. Manuel, e segui-lo-ei textualmente.

«D. Álvaro da Costa, filho de Fernão Rodrigues de Lemos e de Isabel da Costa, foi um homem honrado em tempo de el-rei D. Manuel e de D. João III. Foi o primeiro provedor da misericórdia de Lisboa, criado e feitura de el-rei D. Manuel, que o fez seu camareiro-mor e armeiro-mor e lhe deu o dom e o fez veador de sua fazenda e da rainha D.ᵃ Leonor, sua mulher. Casou com D.ᵃ Brites de Paiva, filha de Gil Eanes de Magalhães, «o Cavalleiro», que era um cidadão honrado. E a este Gil Eanes de Magalhães lhe chamavam «o Cavalleiro», por ter sido cavaleiro do Tosão, que lhe deu o imperador Maximiliano, e está sepultado no capítulo de S. Francisco de Enxabregas e mais sua mulher Isabel de Paiva, de que houve a D. Gil Eanes da Costa, cujo apelido lhe vinha por Isabel da Costa, sua avó, que foi mulher de seu avô Fernão Rodrigues de Lemos. Teve mais a D. Duarte da Costa.

D. Gil Eanes da Costa, filho primeiro deste D. Álvaro da Costa, foi veador da fazenda de el-rei D. Sebastião, casou com D. Maria, filha de João de Toeiro, um homem honrado das ilhas dos Açores, de quem houve a D.ᵃ Catarina, que casou com Luís da Silva e, por morte dela, casou segunda vez com D.ᵃ Joana da Silva, filha de D. Filipe de Sousa, que foi veador de D. Sebastião, de quem houve a D. Álvaro da Costa.

D. Álvaro da Costa, «o Queimado», filho primeiro deste Gil Eanes da Costa, fê-lo seu pai clérigo e lhe houve muitos benefícios. Foi deão da Guarda e teve filhos bastardos de Maria Manuel, sua amiga: D. Duarte da Costa, que morreu sem casar, e D. António da Costa.

D. António da Costa, filho bastardo e segundo deste D. Álvaro da Costa, deão da Guarda, foi doutor em cânones e, depois da morte de seu irmão, herdou o morgado, que lhe fez seu pai, e casou com D.ᵃ Madalena de Mendonça, filha de Luís de Góis Perdigão, de quem houve a D. Luís da Costa[64].

Teremos de voltar atrás ao segundo filho de D. Álvaro da Costa para encontrarmos na descendência de D. Duarte da Costa a dama que foi mulher de D. Luís.

D. Duarte da Costa, filho segundo de D. Álvaro da Costa, veador da fazenda, foi armeiro-mor e casou com D.ᵃ Maria de Mendonça, de quem houve a D. Álvaro da Costa e a D. Francisco da Costa.

D. Francisco da Costa, filho segundo de D. Duarte da Costa e irmão de Álvaro da Costa, foi capitão de Malaca e embaixador a Marrocos ao xerif sobre o resgate, onde morreu[65]. Foi casado com D.ᵃ Joana Henriques, dama da infanta D.ᵃ Isabel, filha de Rui Vaz Pinto, senhor de Ferreiros e Tendães e alcaide-mor de Chaves, de quem houve a D. Duarte da Costa e a

D. Gonçalo da Costa.

D. Gonçalo da Costa, filho segundo de D. Francisco da Costa e irmão de D. Duarte da Costa, por morte de seu irmão teve a comenda de S. Vicente da Beira; casou com sua prima D. Joana e, por morte desta mulher, casou com D.ᵃ Francisca, filha de D. Pedro de Almeida, presidente da câmara de Lisboa, de quem teve a D. Pedro da Costa.

Veio-lhe esta alcunha de ter aos cinco anos queimado o rosto com pólvora. Pela deformidade que lhe sobreveio e por agradar a seu pai, fez-se padre, mas sob condição de nunca dizer missa.

D. Pedro da Costa, filho segundo de D. Gonçalo da Costa, comendador de S. Vicente da Beira, e de sua mulher D. Francisca Coutinho, herdou a casa de seu pai e foi armeiro-mor. Casou com D.ᵃ Violante Henriques, que foi dama do palácio, filha de D. Francisco de Noronha e de D.ᵃ Maria de Azevedo, e deste matrimónio teve a D. Maria de Noronha, que herdou a sua casa.

D. Maria de Noronha, filha herdeira de D. Pedro da Costa, armeiro-mor, casou com D. Luís da Costa, que era filho de D. António da Costa, que era bastardo de D. Álvaro da Costa «Queimado», deão da Guarda e, por este casamento, foi também armeiro-mor, e teve deste matrimónio a D. António Estevão da Costa e Sousa.

D. António Estevão da Costa e Sousa, filho de D. Luís da Costa, armeiro-mor por sua mulher, herdou a casa de seu pai e ofício de sua mãe e foi armeiro-mor, casou com D.ᵃ Madalena Luísa de Mendonça, filha de D. António José de Melo, de quem teve a D. José da Costa e a D. António José da Costa.

D. António José da Costa casou com D.ᵃ Antónia Rosa de Melo, foi servir na Índia, e pereceu no naufrágio da fragata Vencimento em 1748.

Destes nasceu D. José Francisco da Costa e Sousa, que foi armeiro-mor pela morte de seu tio paterno D. José da Costa. Casou com D.ᵃ Maria José de Sousa e Macedo, filha do primeiro visconde de Mesquitela. A este sucedeu seu filho:

D. Luís da Costa e Sousa de Macedo, que casou com D.ᵃ Maria Inácia de Saldanha Oliveira e Dão, filha dos primeiros condes de Rio Maior. Foi elevado a conde de Mesquitela em 22 de janeiro de 1818 e a par do reino em 1826. Deste matrimónio nasceram:

—D.ᵃ Maria Amália, a 10 de março de 1809;

—D.ᵃ Maria José, a 2 de março de 1811;

—D. João Afonso, a 11 de fevereiro de 1815;

—D. Luiz António, a 25 de outubro de 1816;

—D. Pedro, a 14 de maio de 1821;

—D. António, a 24 de novembro de 1824.

D. João Afonso da Costa e Sousa de Macedo e Albuquerque foi décimo segundo armeiro-mor, segundo conde de Mesquitela e primeiro duque de Albuquerque por carta de mercê de 1886. Não casou; faleceu sem sucessão em 24 de setembro de 1890 e sucedeu-lhe seu irmão.

D. Luís António da Costa e Sousa de Macedo e Albuquerque, atual conde de Mesquitela e senhor do morgado de Albuquerque em Azeitão.

Os títulos de que gozam estes Sousas de Macedo têm as seguintes datas:

Ofício de armeiro-mor, 27 janeiro de 1522;

Barão de Molingar e par de Inglaterra, 28 de junho de 1661;

Senhor de Mesquitela, 23 de dezembro de 1665;

Barão de Mesquitela, 27 setembro de 1666;

Visconde de Mesquitela, 28 de maio de 1754;

Conde de Mesquitela, 22 de janeiro de 1818;

Duque de Albuquerque, em 1886.