HERMES TRIMEGISTA

O desenho das creanças é como o das pessôas que não sabem desenhar—ambos dizem, mas não sabem o que dizem. Não sabem desembaraçar as linhas de uma coisa das linhas das outras coisas que veem ao mesmo tempo dentro da mesma palavra. A prova é que não são capazes de imitar o que da primeira vez lhes escorregou do corpo pela mão para o papel.

Eu-proprio, apenas agora começo a saber recordar o que foram os meus desenhos de ha dez e vinte annos, quando fiz uns traços em pedaços de papeis que guardaram.

Escuto estes desenhos como a um homem, do campo que diz, sem querer, coisas mais importantes do que o que está a contar, e que põe tudo á mostra sem dar por isso. Atravez d'estes desenhos sigo grafologicamente o meu instincto á espera da minha vontade,—a minha querida ignorancia a aquecer ao sol e a transformar-se na minha vez cá na terra.

+FIM DA TERCEIRA PARTE+