CCLXXIX.
Doce sonho, suave e soberano,
Se por mais longo tempo me durára!
Ah quem de sonho tal nunca acordára,
Pois havia de ver tal desengano!
Ah deleitoso bem! ah doce engano!
Se por mais largo espaço me enganára!
Se então a vida misera acabára,
De alegria e prazer morrêra ufano.
Ditoso, não estando em mi, pois tive
Dormindo o que acordado ter quizera.
Olhae com que me paga meu destino!
Em fim, fóra de mim ditoso estive.
Em mentiras ter dita razão era,
Pois sempre nas verdades fui mofino.[{141}]