CCLXXXIV.
Posto me t~ee fortuna em tal estado,
E tanto a seus pés me t~ee rendido!
Não tenho que perder, ja de perdido,
Nem tenho que mudar, ja de mudado.
Todo bem para mi he acabado:
D'aqui dou o viver ja por vivido;
Que aonde o mal he tão conhecido,
Tambem o viver mais será'scusado.
Se me basta querer, a morte quero,
Que bem outra esperança não convem:
E curarei hum mal com outro mal.
E pois do bem tão pouco bem espero,
Ja que o mal este só remedio tem,
Não me culpem em qu'rer remedio tal.