Uma vela aos sabbados.
Eis aqui como, após tantas canceiras, tocavamos o porto a que nos deviamos ter abrigado logo. Não nos censures, piloto de má sorte, não se navegam corações como os outros mares deste mundo. Estavamos contentes, entramos a falar do futuro. Eu promettia a minha esposa uma vida socegada e bella, na roça ou fóra da cidade. Viriamos aqui uma vez por anno. Se fosse em arrabalde, seria longe, onde ninguem nos fosse aborrecer. A casa, na minha opinião, não devia ser grande nem pequena, um meio termo; plantei-lhe flôres, escolhi moveis, uma sege e um oratorio. Sim, haviamos de ter um oratorio bonito, alto, de jacarandá, com a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Demorei-me mais nisto que no resto, em parte porque eramos religiosos, em parte para compensar a batina que eu ia deitar as ortigas: mas ainda restava uma parte que attribuo ao intuito secreto e inconsciente de captara protecção do ceu. Haviamos de accender uma vela aos sabbabos...