SCENA X

MAGALHÃES, D. ADELAIDE

MAGALHÃES

Tinha vontade de saber o que é que ella lhe receitou.

D. ADELAIDE

Não falemos disso.

MAGALHÃES

Sabes o que foi?

D. ADELAIDE

Não; mas titia disse-me que a cura se fará em dez annos. (Espanto de Magalhães.) Sim, dez annos; talvez dous, mas a cura certa é em dez annos.

MAGALHÃES, atordoado.

Dez annos!

D. ADELAIDE

Ou dous.

MAGALHÃES

Ou dous?

D. ADELAIDE

Ou dez.

MAGALHÃES

Dez annos! Mas é impossivel! Quiz brincar comtigo. Ninguem leva dez annos a sarar; ou sára antes ou morre.

D. ADELAIDE

Talvez ella pense que a melhor cura é a morte.

MAGALHÃES

Talvez. Dez annos!

D. ADELAIDE

Ou dous; não esqueças.

MAGALHÃES

Sim, ou dous; dous annos é muito, mas, ha casos... Vou ter com elle.

D. ADELAIDE

Se titia quiz enganar a gente, não é bom que os estranhos saibam. Vamos falar com ella, talvez que, pedindo muito, ella diga a verdade. Não leves essa cara assustada; é preciso falar-lhe naturalmente, com indifferença.

MAGALHÃES

Pois vamos.

D. ADELAIDE

Pensando bem, é melhor que eu vá só; entre mulheres...

MAGALHÃES

Não; ella continuará a zombar de ti; vamos juntos, estou sobre brazas.

D. ADELAIDE

Vamos.

MAGALHÃES

Dez annos!

D. ADELAIDE

Ou dous. (Saem pelo fundo.)