SCENA XIV
D. HELENA, BARÃO, D. LEONOR, D. CECILIA
D. CECILIA, entrando pelo fundo com D. Leonor
Mas, titia...
D. LEONOR
Não admitto, já disse! Não te faltam casamentos. (Vendo o Barão.) Ainda aqui!
BARÃO
Ainda e sempre, minha senhora.
D. LEONOR
Nova originalidade.
BARÃO
Oh! não! A cousa mais vulgar do mundo. Reflecti, minha senhora, e venho pedir para meu sobrinho a mão de sua encantadora sobrinha. (Gesto de Cecilia)
D. LEONOR
A mão de Cecilia!
D. CECILIA
Que ouço!
BARÃO
O que eu lhe pedia ha pouco era uma extravagancia, um acto de egoismo e violencia, além de descortezia que era, e que V. Ex. me perdôou, attendendo á singularidade das minhas maneiras. Vejo tudo isso agora...
D. LEONOR
Não me opponho ao casamento, se fôr do agrado de Cecilia.
D. CECILIA, baixo a D. Helena.
Obrigada! Foste tu...
D. LEONOR
Vejo que o Sr. Barão reflectiu.
BARÃO
Não foi só reflexão, foi tambem resolução.
D. LEONOR
Resolução?
BARÃO, gravemente
Minha senhora, atrevo-me a fazer outro pedido.
D. LEONOR
Ensinar botanica a Helena? Já me deu vinte e quatro horas para responder.
BARÃO
Peço-lhe mais do que isso; V. Ex. que é, por assim dizer, irmã mais velha de sua sobrinha, póde intervir junto della para... (Pausa)
D. LEONOR
Para...
D. HELENA
Acabo eu. O que o Sr. Barão deseja é a minha mão.
BARÃO
Justamente!
D. LEONOR, espantada
Mas... Não comprehendo nada.
BARÃO
Não é preciso comprehender; basta pedir.
D. HELENA
Não basta pedir; é preciso alcançar.
BARÃO
Não alcançarei?
D. HELENA
Dê-me tres mezes de reflexão.
BARÃO
Tres mezes é a eternidade.
D. HELENA
Uma eternidade de noventa dias.
BARÃO
Depois della, a felicidade ou o desespero?
D. HELENA, estendendo-lhe a mão
Está nas suas mãos a escolha. (A D. Leonor) Não se admire tanto, titia; tudo isto é botanica applicada.