§. V.

Leaõ, e Castella.

Salamanca.

Os estudos de Palencia foraõ fundados[228] por ElRey D. Afonso de Leaõ; mas esta fundaçaõ foy só dar privilegios aos Mestres, que quisessem ensinar os Estudantes, no anno de 1200. O mesmo fez ElRey D.Fernando II. de Leaõ em Salamanca, de modo que nenhuma destas Universidades teve sallarios, nem liçoens certas, senaõ voluntarias; e por isso se extinguiraõ de todo as liçoens de Palença, e naõ se mudaraõ para Salamanca, como alguns querem dizer.

A segunda fundaçaõ de Salamanca foy feita por ElRey D. Afonso o Sabio no anno de 1254. assinalando sallarios para os Mestres; porèm naõ teve Universidade por authoridade Apostolica atè o anno de 1334. em que o Papa Joaõ XXII. deu sua authoridade ao Mestre Eschola para o governo de Universidade, e dar os gràos nas sciencias; por onde de entaõ para cà começou a antiguidade da Universidade. E por quanto a nossa Universidade de Coimbra foy instituida pelo Papa Nicolào IV. anno 1290. ficaõ sendo as Bulas de Salamanca mais modernas, que as de Coimbra 44. annos. Esta opiniaõ porém da antiguidade da Universidade de Salamanca naõ he taõ certa, que senaõ diga della na Biblioteca Hispana do Padre Andre Escoto que antes do anno 1404 naõ hà cousa certa nesta materia, como se vé destas palavras: Salmanticensis in Regno Castellæ, de cujus institutionis tempore parum constare affirmat Sabarellus Card. Clem. I. de Magistris; alij tamen anno Domini 1404. erectam asserunt.[229] Esta Universidade floreceo em mayor numero de Estudantes, que nenhuma outra de Espanha, e pòde ser que fóra della: porque chegaraõ a passar de 15U000. e como eraõ tantos, foy necessario multiplicarem-se as liçoens, porque naõ havia Aula, em que coubessem todos os ouvintes de huma profissaõ; e assim acrescentaraõ duas liçoens de Prima, e Vespera, e chegou o numero dos Lentes a 60. Os homens eminentes, que desta Universidade tem sahido, e Authores insignes, podemos dizer, que saõ sem numero, por sua grande multidaõ; o mais se pòde ver largamente na historia de Salamanca de Gil Gonçalves de Avila l. 2. c. 17.