LONDRES.
1837.
Ao Leitor.
As Nações, humas já quebráram as algemas do despotismo, outras não tardaram a erguer o grito da Liberdade; porque, aquellas desesperáram de se salvar, estas estam a beber as ultimas gotas do fel da tyrannia. Por toda a parte se alevantam os Povos contra a execravel imbecillidade dos reis e a maldita hypocrisia dos sacerdotes. Tão iniqua ha sido a crueldade dos principes e dos frades contra a especie humana, que esta se decidio em fim a sacudir, de viva força, o jugo de ferro que por tantos seculos lhes havia pesado. He já tempo que nós Portuguezes conheçamos a futilidade das illusões com que os nossos avós nos embaláram. Risquemos para sempre da memoria esses ridiculos preconceitos de que nos fartou a superstição, com o perfido intuito de mais a seu salvo nos envilecer. Eia. …Leamos com attenção a excellente Epistola do nosso grande poeta Bocage, que tanto abunda em salutares preceitos de moral sublime.