III

As gloriosas naus, as naus conquistadoras,
Que levavam no tópe as quinas vencedoras,
Traficavam agora o oiro, os diamantes,
O topazio, o rubi, os limpidos brilhantes,
Que outr'ora o Oriente e hoje o Novo-Mundo
Lançavam sem cessar do seu ventre fecundo!

E todo esse thesouro, e toda essa riqueza,
Era p'ra abastecer a perdularia meza
D'essa turba fradesca—a turba de vadios,
Que não passavam fome e não passavam frios,
Emquanto cá por fóra os tristes proletarios,
Famintos, rotos, nús, sem pão e sem salarios,
Iam implorar ás portas dos conventos
As migalhas servis dos fartos alimentos!

Um rei fraco, imbecil, um rei dissipador,
Assim, à imitação do Rei—Inquisidor,
Lançava essa riqueza aos tigres de roupeta,
Que tinham branca a face e a Consciencia preta.

Em vez de edificar escholas e hospitaes,
Surgiam contrucções athleticas, brutaes,
Que erguiam ao Azul, ao seio do Infinito,
As torres collossaes, gigantes de granito.