V

Injusta muita vez, a Critica, ingloria,
Quer negar-lhe um logar no pantheon da Historia,
Chamando-lhe cruel, carrasco de mil vidas,
A elle, que remiu as raças opprimidas,
Que deu à escravidão a carta de alforria,
Apontando ao Porvir da Liberdade o dia!

E se elle teve, emfim, manchas ensanguentadas,
Tambem o sol as tem, que ficam offuscadas,
Pela irradiação da sua luz brilhante…

Está limpo o pedestal da estatua do gigante!
Elle foi da Justiça o braço vingador,
Como depois na França os homens do Terror.

Saudai-o Mocidade! Um brado bem seguro,
Apostolos da Luz, videntes do Futuro!
Vós, que saudastes já o genio de Camões,
Erguei-lhe um monumento em vossos corações.
É justo que façais dupla consagração:
—Ao genio da Epopeia e ao genio da Instrucção!

Valença, 8 de Maio de 1882.