SONETO I.

Tornai, tornai, Senhor, ao Tejo undoso,

Vinde honrar-lhe outra vez a clara enchente,
E deixai que ajoelhe entre a mais gente
Hum protegido humilde, e respeitoso.

Não leva a vossos pés rogo teimoso

De importuno cansado pertendente;
Vem beijar-vos a mão humildemente,
A mão augusta que o fará ditoso.

Pois foi por Vós benignamente ouvido,

Não vai fazer em pertenções estudo,
Vai só mostrar-vos que he agradecido.

Ante Vós ajoelha humilde, e mudo:

Mostrai-lhe que inda he Vosso protegido;
Que se isto lhe ficou, ficou-lhe tudo.

A Sua Alteza.