PARISINA
A Pedro Jacome Corrêa
MEU CARO AMIGO.
A idéa de emprehender a imitação d'este bello romance do autor do Child-Harold, devo-a ao meu amigo. A obra teria ficado em meio, se não fossem os desejos que manifestou de vel-a concluida. É por isto que tomo a liberdade de lh'a offerecer agora que vou dal-a ao publico.
Chamo-lhe imitação, porque me parece mais modesto o titulo, posto não seja essa a opinião geral, nem talvez fosse a minha noutras circumstancias. Nesta porém, creio que mais distante ficaria do original, quanto mais escrupulosamente intentasse aproximar-me d'elle.
Não sei se faço perceber bem a minha idéa: intendo que interpretar as obras do genio, é mais difficil do que imital-as de longe. A traducção deve ser a copia fiel; e como copiar os arrojos do maior poeta que tem tido este seculo?! Ainda assim procurei, quanto pude, seguir o pensamento predominante da composição, e conservar alguns toques da cor primitiva do quadro. Não sei se o alcancei. Se numa ou noutra passagem menos infeliz da minha tentativa o leitor sentir aquelle sabor particular que se encontra em todas as composições do grande poeta, dar-me-hei por satisfeito; se, como é mais provavel, nem isso houver conseguido, terei o castigo na indifferença publica. Com o que eu decerto conto é com a benevolencia do meu bom amigo para desculpar a insignificancia d'esta offerta ao
Seu do coração
Janeiro de 1857.
Bulhão Pato.