XIX

Hugo jaz no sepulchro, e Parisina
Dissera acaso eterno adeus ao mundo,
Refugiando sua alma atribulada
No silencio da cella de um convento?
O veneno, o punhal talvez seriam
O severo castigo do seu crime?
Ou succumbira emfim nesse momento,
Em que vira brandir o duro ferro
Sobre a adorada fronte? compassiva
A mão da Providencia permittiu,
Que ao quebrar-se em seu peito confrangido
De angustia o coração, se terminasse
Tambem com elle a fragil existencia?
Não o soube ninguem. Aquella vida,
Ai! de mim! acabára neste mundo
Pela dor como a vida principia!

Setembro de 1856.

[XXV
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