A NOSSA DÔR

Emquanto chora a Mãe desventurada,
Sobre o seu coração, de noite e dia,
Eu canto a minha dôr; e a dôr cantada
Como que intimamente se alumia…

Se me levanto cêdo e a madrugada
Já vem doirando os longes de harmonia,
Sinto que estás ainda despertada
E eu ouço, em mim, cantar nova elegia.

Abre-te a dôr os olhos sem piedade,
Durante as longas noites de amargura…
Mas para mim a dôr é já saudade.

A dôr, em mim, é canto que murmura;
A dôr, em ti, é negra tempestade:
Sou a noitinha, e tu, a noite escura!