PREFACIO
As primeiras tres partes d’este livrinho são simplesmente uma compilação das melhores e mais accessiveis historias da Reforma, e de modo algum são apresentadas como uma dissertação original sobre o vasto e complicado movimento religioso que descrevem. Sou da opinião do dr. Merle d’Aubigné: a Reforma foi uma revivificação da religião, e não pode ser descripta com bom exito se não tivermos sempre deante de nós, e bem distinctamente, este seu caracter essencial. Os reformadores foram homens que, sob o impulso de um grande movimento religioso que se levantou n’uma occasião em que eram bem particulares as circumstancias intellectuaes, sociaes e politicas, se sentiram animados pelo desejo de que lhes fosse permittido dar culto a Deus segundo as direcções da Escriptura e os dictames da razão e da consciencia. Mas este desejo, apparentemente simples, envolvia uma tal mudança nas condições sociaes e politicas, não sómente em cada provincia e em cada nação, mas em toda a Europa, tomada no seu conjuncto, que não se pode escrever a historia da revivificação religiosa sem apresentar uma grande parte da historia politica e social de aquella epoca.
O dr. Leopoldo von Ranke tratou com tanta proficiencia da historia politica do periodo em questão, que o auctor até do mais humilde dos manuaes deve collocar-se quasi exclusivamente debaixo da sua direcção. Foi o que eu fiz, e em quasi todas as paginas me aproveito, com reconhecimento, das suas magistraes descripções do movimento politico e social.
Escusado seria mencionar toda a longa lista de auctores consultados na preparação d’este pequeno livrinho; como, porém, não se faz referencia alguma ás auctoridades citadas, cumpre-me dizer que, além de d’Aubigné e de Ranke, as pessoas que teem conhecimento do assumpto hão de notar um continuo uso das Historias da Egreja de Hagenbach e Henke, do Periodo da Reforma de Haüsser, dos Huguenotes de Baird, de dois volumes das Epocas da Historia Moderna de Longman, da Era da Revolução Protestante de Seebohm, e do Seculo de Isabel de Creighton. Refiro-me frequentemente á Historia dos Credos do Christianismo ao tratar das Confissões, e á inapreciavel collecção de Livros de Disciplina, de Richter, ao tratar da organização ecclesiastica das varias egrejas reformadas.
A quarta parte, que se occupa summariamente dos principios fundamentaes do movimento da Reforma, deveria talvez ter ido em primeiro logar, servindo de introducção, mas preferi collocal-a no fim; em parte, porque similhante introducção poderia assustar os leitores jovens, e em parte porque os principios do movimento podem ser mais bem apreciados depois do leitor ter algum conhecimento da sua historia. A quarta parte é a unica porção d’este pequeno manual que se pode dizer com verdade que pertence exclusivamente ao auctor, e que apresenta opiniões sobre o assumpto de que só elle é responsavel.
O summario chronologico foi extraido quasi inteiramente das admiraveis tabellas de Weingarten.
T. M. LINDSAY.