SONETO XIV.
Quando o torcido buço derramava
Terror no aspecto ao Portuguez sisudo,
Quando sem pó, nem oleo o pente agudo
Duro intonso o cabello em laço atava.
Quando contra os Irmãos o braço armava
O forte Nuno oppondo escudo, a escudo;
Quando a palavra que perfere a tudo
Com a barba arrancada João firmava.
Quando a mulher á sombra do marido
Tremer se via: quando a Lei prudente
Zelava o sexo do civil ruido;
Feliz então, então só innocente
Era de Luso o Reino: oh bem perdido!
Ditosa condição, ditosa gente!