AO SOL

Tu sim, tu é que tens d'um deus a essencia!

Reconhece-se a tua divindade

Na branca luz formada de bondade,

Mais bella de que o peito da innocencia.

Teus raios são os raios da existencia,

Espadas da justiça e da verdade,

E, n'esse livro azul da immensidade

És em letras de fogo a Providencia.

Ah! se um dia a materia desvairada,

Perdendo-se em seu proprio cataclismo,

Te congelar a esphera abrazeada.

Hade a terra chorar no teu abysmo,

E quando apalpe a immensidão do nada,

Ha de soltar rugidos d'atheismo.

Sousa Viterbo, Harmonias phantasticas, p. 151.