I

Oh Dante! oh nova aurora da Poesia,

Duro juiz da inulta liberdade!

Quando entraste dos prantos na Cidade,

Perguntaste a Virgilio, ao doce guia:

—D'onde vem tal fragrancia e harmonia?

Vozes de amor de tanta suavidade?

Que se aclara a amplidão da escuridade

Sobre o estertor da hórrida agonia?—

Viste pairando em nuvem diamantina

Voar Paulo e Francesca, triste e amante;

Quizeste ouvir que dôr é que os fulmina.

Interrogaste o mestre n'esse instante;

Mas respondeu a bella florentina:

La bocca me bacció tutto tremante.