SONETO
Pallida, á luz da lampada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do mar ella dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das aguas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bella! o seio palpitando...
Negros olhos as palpebras abrindo...
Fórmas núas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti—as noites eu velei chorando,
Por ti—nos sonhos morrerei sorrindo!
Alvares de Azevedo, Ibid. t. I, p. 131.