IV.
Já que até aqui tenho sido tão ingrato duro, e rebelde para comvosco, meu amorosissimo Redemptor, que não só vos não tenho amado como devo, antes offendido, e negado o por tantos e tão rigorosos titulos, devido tributo d'amor; já que sendo Vós o centro do meu coração, e devendo o meu coração ser todo para Vós, eu desgraçadamente em logar de vos amar com todo o meu coração, é talvez a Vós a quem menos tenho amado: agora protesto, e desejo anciosamente d'aqui em diante, até ao ultimo momento da minha existencia, amar-vos sobre todas as cousas, com todo o meu entendimento, com todo o meu coração, com toda a minha alma, e com todas as minhas forças e só a vós amar, e ser o vosso amor o unico dominante e soberano do meu coração.
Por amor de Vós, ó meu Deus, eu protesto tambem d'aqui em diante amar ao meu proximo como a mim mesmo. Por amor de Vós perdôo do coração a todos os meus inimigos, a todos quantos me teem offendido, ou querem offender, ou teem feito, ou desejam por qualquer modo ou maneira fazer mal: perdoae-lhes Senhor, não os castigueis: retribui-lhes antes em bens e graças, o mal que me houverem feito ou desejado fazer.
Por amor de Vós eu humildemente peço perdão a todos que eu tiver offendido e escandalisado por palavras, obras, máus exemplos, ou por simples descuidos e omissões: desejo dar todos, e a cada um, a devida satisfação e reparação, e muito vos supplico. Vos digneis fazer-me conhecer o que a este respeito devo praticar para allivio da minha consciencia, promettendo eu tudo promptamente executar antes que chegue a hora da minha morte.