VISITA XXI.
No principio do mundo creou Deus no meio do Paraiso terrestre um caudaloso rio, ou fonte de agua pura, e crystallina para regar as plantas, e hervas daquelle horto. (
Gen. 2.
) Assim tambem no Paraiso da Igreja Catholica (diz S. João Chrysostomo) pôz a fonte do Divinissimo Sacramento para regar, e fertilizar as nossas almas, a fim de produzirem flores de virtude, e fructo de Santidade. (
Hom. 54.
) Por esta razão os Santos, neste valle de lagrimas, corrêrão sempre como servos sequiosos a esta fonte do Divino Sacramento, onde achavão toda a suavidade, consolação, e doçura. O Padre Balthazar Alvares em qualquer emprego que se achasse, não podia deixar de levantar os olhos, e olhar para aquella parte, onde sabia que estava o SS. Sacramento: visitava-o muitas vezes, e algumas noutes inteiras gastava nestas visitas: chorava de ver os palacios dos Grandes cheios de gente a obsequiar um homem, do qual apenas esperavão um misero bem, um bem terreno, e caduco, que era breves dias acaba; ao mesmo tempo que as egrejas, onde habita o Rei dos Reis, que está comnosco na terra em throno de amor, rico de bens immensos, e eternos, se achavão despovoadas, e desertas; e dizia que era muito grande a fortuna dos Religiosos, os quaes, sem sahirem fóra dos seus Conventos, a toda a hora, que quizessem, de dia, e de noute, podião visitar este grande Senhor no Santissimo Sacramento.
Ah, meu amantissimo Senhor! Já que vós com tanta bondade me chamais, ainda quando me vêdes tão indigno, e tão ingrato ao vosso amor, eu não quero desanimar agora com a consideração da minha fraqueza, e da multidão dos peccados, que tenho commettido: aqui estou, Senhor, junto a vós. Ah, Senhor! Vós podeis converter o maior peccador: convertei-me, que sou o maior: arrancai de mim todo o amor, que não é dirigido a vós, todo o desejo, que não é do vosso agrado, todo o pensamento, que era vós se não emprega: meu Jesus, meu amor, meu thesouro, todo meu, só a vós quero contentar: só vós é que mereceis o meu amor: a vós só quero amar com todo o meu coração. Separai-me de tudo, que não sois vós, e uni-vos a mim, mas de sorte, que eu não me possa mais separar de vós, nem nesta nem na outra vida.
Minha vontade, etc. (
Como a pag. 19.
)[
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A Communhão Espiritual
. (
que vai a pag. 11.
)[
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