VISITA XXIX.

Eu estou á porta e bato

. (

Apoc. 3.

) Oh Pastor amantissimo, que por amor de vossas ovelhas, não satisfeito de morrerdes uma vez sobre o altar da Cruz, quizestes ficar nesse Divino Sacramento sobre os altares nas nossas Igrejas até á consummação dos seculos, para estardes sempre visinho a nós! Ah! se eu soubesse gozar da vossa amavel companhia, como a vossa Esposa Santa, a qual dizia:

Eu me sentei á sombra daquelle, a quem muito havia desejado

. (

Cant. 2.

) Ah, se eu vos amasse devéras, meu amabilissimo Sacramento; então sim, que eu desejaria efficazmente estar dias e noutes inteiras ao pé de uma Custodia; e descançando ahi visinho á vossa Divina Magestade, ainda que encoberta com a apparente sombra da sagrada especie, eu encontraria aquellas delicias Divinas, e aquelles contentamentos, que ahi achão essas almas, que verdadeiramente vos amão. Ah, Senhor, attrahi-me vós com as suavidades da vossa formosura, e com aquelle immenso amor, que me mostrais nesse Sacramento. Sim, meu Salvador, que então deixarei as creaturas, e todos os prazeres do mundo, e correrei apressadamente para vós Sacramentado. Oh que fructo de santas virtudes dão a Deus aquellas almas felizes, que assistem com amor ao meu Senhor Sacramentado! Mas eu me envergonho de apparecer assim despido, e vazio de virtudes, diante de vós, meu Jesus. Vós tendes ordenado que aquelles que vem ao altar a honrar-vos, e não venhão sem vos offerecer algum donativo:

Não apparecerás na minha presença sem offerta

. (

Ex. 23.

) Pois que hei de fazer? Não vir mais a visitar-vos? Ah, Senhor, eu sei que não é isto o que vos agrada. Virei pobre qual sou, e vós me provereis daquelles mesmos dons, que de mim quereis. Eu vejo que para este fim ficastes nesse Divino Sacramento, não só para premiardes os vossos amantes, mas tambem para intercederdes ao vosso Eterno Pae pelos peccadores, e para proverdes de bens os pobres.

Eia pois, Senhor, começai hoje comigo: ouvi, compadecei-vos, consolai. esta pobre, e miseravel creatura. Eu vos adoro, ó Rei do meu coração, ó verdadeiro amante dos homens, ó Pastor excessivamente namorado das vossas ovelhas, a esse throno do vosso amor venho eu hoje; e não tendo outra cousa que vos offereça, vos apresento o meu miseravel coração, para que fique todo consagrado ao vosso amor, e ao vosso beneplacito. Com este coração eu posso amar-vos, com este eu vos quero amar quanto posso. Purificai-o, Senhor, e fique elle todo preso da vossa santissima vontade: uni-me todo comvosco, e fazei-me esquecer até de mim mesmo, de sorte que o meu maior cuidado ponha eu em servir-vos, e amar-vos. Amo-vos, meu Senhor Sacramentado, com todo o meu coração, com toda a minha vida, com toda a minha alma.

Minha vontade, etc. (

Como a pag. 19.

)[

[2]

]

A Communhão Espiritual

. (

que vai a pag. 11.

)[

[1]

]