NOTAS.
NOTAS
ÁS FÁBULAS E CONTOS.
Nota A.
Um tal poeta lá da tua terra
Que faz Orientes e baptiza Gamas pag 36.
Este verso, e um soneto, que é o X na collecção do presente vol., são as duas unicas debilidades em que cahi mostrando má vontade satyrica ao bem conhecido Padre José Augustinho de Macedo, homem de estudo e talento, mas o mais atrabiliario escriptor que ainda creio que tivesse a lingua portugueza. O rancor que toda a vida professou a quantos professaram as lettras no seu tempo, uma inveja impropria de talento tam verdadeiramente superior, o arrastou a desvarios que deslustraram o seu nome e mancharam a sua fama. Nem o furioso e sanguinario que foi em seu partido, nem a perseguição politica de que a mim proprio me fez victima, poderam mover-me a desacatar n’elle o homem de lettras que todavia honro ainda. Sei que no A. do RETRATTO DE VENUS, no redactor principal do PORTUGUEZ, elle perseguia principalmente o ainda mais odioso A. do poema CAMÕES. Todas as suas offensas porém foram só politicas; litterariamente não me aggravou jamais. Perdoe-lhe Deus como lhe perdoei sempre. A posteridade não lhe perdoará decerto a sua stulla rivalidade com o A. dos LUSIADAS: foi a essa que os versos annotados alludiram. Queimava-os se fôra a outra coisa. Metter as lettras nas nossas questões politicas e nas mesquinhas e soezes paixões individuaes que d’ellas nascem, é para a baixa villania dos insultadores publicos, despreziveis rans do charco stagnado da intriga que nem siquer para si coaxam, mas para quem os faz coaxar por sua conta.
Nota B.
Conto academico pag. [42].
Este conto é uma verdadeira gaiatice de estudante de Coimbra que despede chufas á direita e á esquerda como pancadas de cego. Se o diccionario da nossa academia ficou no azzurrar, a collecção de suas preciosas memórias cantou bem alto e sonoro: muito receio que fôsse cantar de cysne!
Nota C.
O famoso direito de accrescer pag. [61].
O direito de accrescer é o que em qualquer sociedade resulta ao todo dos socios da renúncia tacita ou expressa que de seu quinhão faz um d’elles. No meu primeiro anno da Universidade era a explicação d’este romanismo um dos pontos mais graves do curso de direito.
Nota D.
O menino e a cobra. pag. [65].
É imitação ésta fábula de uma composição alleman do seculo passado, não me lembro de que auctor.
Nota E.
A Saude e a Medicina. pag. [69]
Imitação, e quasi traducção em muita parte, da fábula de Pignotti do mesmo nome.
Nota F.
Fui prêso por Verdeaes pag. [79].
Até a côr das fardas dos archeiros da Universidade mudaram os fomentadores de 1834-5. Dizem que os pintaram de azul! Não tenho ânimo de ir a Coimbra, nem olhos com que tal veja. Os verdeaes azues! Que reforma!
Nota G.
O Casquilho. pag. [88].
Imitação de um apologo ingles, cujo auctor me não lembra tambem.