E cada qual de vós um astro encerra,
Um sol que apenas vejo,
Monarcha d'outros mundos como a terra
Que formam seu cortejo.
Ninguem póde contar-vos: quem podéra
Esses mundos contar a que daes vida,
Escuros para nós qual nossa esphera
Vos é nas trevas da amplidão sumida?
Mas vós perto brilhaes, no fundo accêsas
Do throno soberano:
Quem vos ha de seguir nas profundezas
D'esse infinito oceano?
E quem ha de contar-vos n'essas plagas
Que os céos ostentam de brilhante alvura,
Lá onde sua mão sostem as vagas
Dos soes que um dia romperão na altura?
E tudo outr'ora na mudez jazia,
Nos véos do frio nada: