Atravez das suas ideias em desordem, só dois{128} vultos divisava distinctos: Velloso e Maria Luisa. Elle, o ladrão da sua noiva, o roubador da felicidade do seu coração, e, para epilogo de tanta malvadez, o pretendente roubador da... O Pretendente?! Quem sabe?! E esta ultima observação saiu-lhe distinctamente expressa por palavras, tal foi o abalo que sentiu dentro em si.
—Ah! Infame! Não! Tu não has-de ficar impune! Hei-de castigar-te de tanta malvadez! Miseravel!...
E, fazendo depois incidir o pensamento sobre a ingrata que calcara tão desapiedadamente aos pés o seu verdadeiro amôr, a sua dedicação extrema, atirou-se, soluçando convulsivamente, sobre a cama, chorando como uma creança.
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Nessa noite, Helena prevenia o brazileiro de que era preciso muita cautella com o irmão, que o tinha visto sair d'alli.
—Temo até que elle venha por ahi ainda hoje, Joaquim! Diz que está com uma forte dôr de cabeça; mas, ainda assim...
E o sr. Velloso, que vinha disposto a relatar a Helena os acontecimentos que, desde a véspera, tanto o apoquentavam, achou mais conveniente addiar a confidencia.
—Mas quando hei-de voltar, Helena?
—Não sei... É melhor deixarmos passar dias... O melhor, até, Joaquim, era tu chegares ao pé de meu irmão e dizer-lhe: «descança, João, que a tua irmã vae ser minha mulher». Oh! Joaquim! Quanto eu seria feliz!{129}
—Por estes dias, não, Helena. O motivo, depois t'o direi. Mas confia em Deus, e pede-lhe que nos auxilie para alcançarmos a felicidade.