—Não venhas... Ou antes: esconde-te ahi pela rua, ao largo, e só te approximas se eu abrir a portaria. Então, é porque meu irmão não saiu.

—Bem. Boa noite, Helena.

—Adeus, Joaquim! Até... quando Deus quizer!{130}

[XV]

No dia seguinte, ao toque das almas, João da Alamêda envergava o seu capote e, pegando no marmeleiro—seu inseparavel companheiro nocturno—saiu de casa. Deu a volta á Herdade, no que gastou cerca de um quarto d'hora, e, na volta, na estrada dos eucalyptos, se se tivesse affirmado bem para um ponto do escuro das arvores, teria notado uma negrura mais densa. Fôra o Velloso que escolhera aquelle ponto para seu posto de observação, donde se descortinava, atravez da negrura daquella noite sem luar, o vulto da casa de Helena, divisando-se no seguimento da estrada esbranquiçada e sobre o fundo do ceu allumiado pelas estrellas.

João passou e, proximo de sua casa, coseu-se com a escuridão do cômoro fronteiro.

O brazileiro, no seu posto, não ousava respirar mais fortemente.

Um silencio sepulchral se seguiu. Nem um sussuro de vento se ouvia nas folhas das arvores.

Passou-se meia hora, e mais outra. As dez horas soaram, lentas e quasi imperceptiveis, na torre de Eiról.

Ás dez e meia, João saía do seu esconderijo e mettia-se em casa.