Ao Ill.mo e Ex.mo Snr.
Conselheiro Albano de Mello
Permitta-me V. Ex.ª, confidente das vicissitudes que tem agitado a minha vida de ha sete annos a esta parte, que eu colloque o seu nome illustre nesta pagina d'esta insignificante producção litteraria, que para V. Ex.ª só tem o merecimento de ser um testemunho de gratidão.
A. A. Miranda.
AOS MEUS PROFESSORES
Aos meus Condiscipulos
AOS MEUS AMIGOS
Meu amigo:
As resumidas linhas em que eu condensarei as impressões que da leitura do seu livro me ficaram não podem constituir, de fórma alguma, isso a que, nas nossas lettras, se chama—um prefacio. Serão apenas uma ligeira carta sem subtilezas de critica profunda—a critica que nunca soube formular, porque os criticos são personalidades todos de intellecto raciocinado e frio e eu sou um homem todo de emoções.
Esses criticos diriam ao meu amigo que as obras realisadas aos vinte annos não deviam ser atiradas aos alaridos da publicidade sem que primeiro os seus auctores tivessem, além de um exacto conhecimento da vida, completamente afinadas as suas faculdades d'observação, e sem que o seu temperamento esthetico adquirisse uma perfeita sagacidade, para que depois, já em pleno triumpho, não se arrependessem dos inconsiderados impulsos da juventude. Eu, pelo contrario, digo-lhe que nenhum escriptor deve envergonhar-se da sua actividade artistica dos primeiros annos, mesmo quando na superior florescencia do seu talento um dia sentir a viva anciedade de vêr como principiou. Os trabalhos da iniciação representam até um documento essencial para o estudo das intelligencias evolutivas e ascendentes...