—E até então onde esteve?{51}

—Estive em casa da mulher que me criou. Essa é que me disse que meus paes me tinham abandonado quando nasci...

—Abandonaram-n'o?!... Que corações tão duros! E você não chorou quando ella lhe disse isso?

—Não, porque nunca os tinha conhecido. A ella me habituei a chamar mãe e outra não conheço.

—E você gostava de conhecer seus paes?

—Gostava!... disse elle num murmurio, tão intimamente triste, que Julia não se atreveu a fazer-lhe mais perguntas.

A animação em volta d'elles continuava. Passados momentos, Paulo tomou uma expressão resoluta e disse:

—Já vê a menina que eu tenho mais motivos para chorar, porque sou mais infeliz, e comtudo não choro!

—É verdade, Paulo. Você tem razão. Não torno a chorar! Hei-de agora esforçar-me por ser alegre como você.

—Ena! cá está uma! gritou, vibrante, a voz de João que, em pé, empunhava uma espiga vermelha. Um abraço! Vou já dar um abraço a cada uma!