—E ella? a tua andorinha?..., murmura-lhe ao ouvido um raio mais chocarreiro do sol.
Elle despreza a chufa e volta-se para o outro lado, a saborear, descançado, o somno da manhã.
Quando accorda, já o sol vae alto, esfrega os olhos, levanta-se pezado de avareza e vae abrir a porta á sua andorinha...
Oh! decepção cruel! A linda andorinha voou de noite, atravez da escuridão, por esses ares fóra!
É que o coração vôa quando quer. Não tem elle azas?
É um grande artista. Os maiores prodigios que têm assombrado a humanidade são obra sua.
Pegar numa pedra muito tosca e muito dura, desbastal-a a cinzel, dar-lhe a fórma de um homem, polil-a e collocal-a num altar, tornando-a de penedo tantas vezes maltratado em um santo que se venéra, é possivel a qualquer artista.
Polir uma alma... só o coração.
A Maria Luiza d'outr'ora e a Maria Luiza d'hoje, differem entre si como a peccadora de Magdalo{70} differe da penitente que está osculando e orvalhando de lagrimas os pés do Nazareno.
Mas... quem espera ella?