—Ah! sim! Dá uns ares d'elle, dá!

—Pois é este figurão que ahi vae. Andava por ahi á maçã do chão, todo esfarrapado e ranhoso. A mãe pôl-o a servir alli em casa do fallecido pae do Silveira, que era um lavrador rico, como vocês sabem. Esteve lá uns dois annos, se tanto, até que um{86} dia pede dinheiro emprestado ao patrão para ir para o Brazil, na condição de lh'o mandar quando o ganhasse. O patrão disse-lhe: nunca o diabo mais leve; olha, se o ganhares, manda-m'o; e se o não ganhares, fica por intenção da minha alma.

—E ganhou-o bem, logo se vê!

—Ai! teve sorte! No fim de dois mezes mandou-lhe o dinheiro, e mandou-lhe tambem dizer que só voltaria á terra quando estivesse tanto ou mais rico do que elle; que, do contrario, não punha cá mais os pés!

—Ora vejam o que é a sorte!

—É assim! Deu em enriquecer, e mandava sempre uma mezada á mãe.

—Por isso ella anda por ahi muito gaiteira, e já não apparece na feira dos cinco a comprar e vender creação!

—Já não tem necessidade d'isso. Até parece que anda mais nova.

—É verdade! Olha a bisnaga! Se ella não tivesse tido a habilidade de arranjar aquelle filho, não tinha agora uma velhice tão mimosa.

—Meu caro... é a sorte. Pois foi para o Brazil ha vinte annos, pouco mais ou menos, pobre como Job, sem saber lêr nem escrever...