O filho da tia Maria das Neves pegou cautelosamente com dois dêdos no charuto que o brazileiro lhe offerecia, contemplou-o com um sorriso mixto de parvoice e de contentamento, e metteu uma das extremidades na bôcca.

—Espera lá, homem! É preciso aparal-o. Por onde diabo querias tu que saisse o fumo?

E deu-lhe um canivete, mostrando-lhe, para exemplo, o seu charuto, que tirou da boquilha de aros de oiro.

O Francisco cortou uma das extremidades ao charuto, e, depois de o metter na bôcca, puxou d'um phosphoro de pau, dos que vulgarmente se chamam de espera gallego por causa da grande demora do enxofre entrar em combustão, e, raspando-o nas calças de saragoça, com elle accendeu o charuto.

Entretanto, a bisnaga recebe a visita, na cosinha, de varias visinhas que a vêm felicitar pelo alegrão que a vinda do seu Joaquim lhe veio dar.{90}

Este, abrindo a bôcca n'um cantarolado bocejo, pergunta ao seu antigo companheiro, que mais parece um servo que um antigo amigo dos tempos de rapaz:

—Olha lá uma coisa: a respeito de pequenas, como vae isso por ahi?

E ao dizer isto, piscava velhacamente um olho.

—Ha por ahi uns peixões bem bons!

—Sim?