2.º Por falta mais grave na observação se tem confundido as articulações g(a), g(ue, ui), j(a), j(e, i), e ainda c(a), q(ue, ui). Os pontos articulatórios são diferentes. No congresso trataremos estes assuntos. Carecemos de caracteres próprios para distinguir na escrita as articulações j(a), g(e, i), j(o, u), nas palavras Jacob, Jeremias, José, Jesus, Jutlandia, Jerusalem, geme, gemer, gentes, gymnasio, Gil; etc.; e é certo que não podemos, tão pouco, distinguir Guilherme, guerra, garra, gume, causando estranheza invencível a grafia Geremias, Gesus, e ficando aínda infiel gemer, geral, e sempre em contradição com uma pronúncia Gèrusalém ou Jerusalém; tendo nós, pois, de escrever Jeremias, Jesus, adoptámos o símbolo j para os fonemas articulados das sílabas ja, jo, ju, ge, gi, e por êste sistema gráfico evitamos também regra especial para a conjugação dos verbos em (-ger, gir) -jer, -jir.
Escólio.—É evidente (pelo que fica dito em b) 2.º) a necessidade aínda existente de mantermos o modo de escrever gue, gui, nas sílabas terminadas na vogal palatal i ou e, precedida do fonema gutural brando, mostrando-se pelo acento grave sôbre o u da prolação gùe, gùi, as silabizacões gu-e, gu-i, como fica dito em 4.º de páj. 7.
c) Conservamos todo sinal gráfico de fonema histórico, hoje nulo, cuja influéncia na vogal precedente é persistente: acção, actor, predilecção, redacção, respectivo, trajectória, baptismo, concepção; e aínda quando é facultativa a pronunciação, como em carácter.
Escólio.—Os fonemas i, u, não estão sujeitos a esta influéncia: edito = edicto (cf. édito); corruto = corrupto; corrução = corrupção.
d) Conservamos a grafia x para representar os diferentes fonemas que de facto representa na língua portuguesa, porque não temos direito, nem Congresso nenhum, de impor pronúncia pela ortografia. O Congresso poderá assentar as bases para o dicionário ortoépico; e no tocante a pronúncia nada mais pode fazer—estabelece o padrão, dá a norma—para que se dilijenceie ler dum modo único o vocábulo escrito.
Ninguém pode contestar o direito de se pronunciar o vocábulo exemplo de uma das seguintes maneiras: izemplo, isemplo, eizemplo, eisemplo, isjemplo. Ninguém pode contestar o direito de se pronunciar trouxe: trouẋe, trouce; extravagante: eistravagante, istravagante, 'stravagante; fixo: fiẋo, ficso, ficço.
III—DOS DITONGOS
Pelo que fica dito se vê qual a maneira por que indicamos a dissolução do ditongo. Não usamos da diérese, também chamada ápices, e mais jeralmente trema ¨, que alguns gramáticos entre nós querem que se use na vogal prepositiva ou conjuntiva, e no u das prolações, para neste caso mostrar que faz sinérese com a voz seguinte.
O trema é sinal que nos veiu de países estranhos. Tem na escrita de línguas europeas significação insubstituível; que nas jermánicas é fórma abreviada de um e, e nesta significação únicamente o empregamos.