Um Pedinte
Mendigo d'olhos na agonia,
Dou-te o meu manto e o meu bordão;
Nada mais levo… a noite é fria…
O Pobrezinho
(andando sempre)
Apenas ai! desejaria
Tua cristã resignação!…
A Estrella Vesper
Ó sonhador louco d'outrora,
Teus sonhos lindos onde estão?!
Ebrio da luz, rico d'aurora,
Vi-te partir… e vejo agora
Um morto erguido d'um caixão!
Teus olhos fulvos namorei-os
De dia e noite, da amplidão:
Vi-os sorrir entre gorgeios,
Vi-os cantar e vi-os cheios
De pranto e febre e indignação!
Regressa emfim, é teu destino,
Á paz obscura, á submissão…
E outra vez meigo e pequenino
Deixa dormir, como um menino,
Teu velho e exhausto coração!…
O Pobresinho
(chorando)