Outros nas arribas crestam as colmeias,
Grandes favos brancos como luas cheias.

Ai, que bom almoço, feito n'um vergel,
Pomos cor de aurora, leite, vinho e mel!…

Para as avósinhas tem lá Deos bastantes
Fusos d'esmeraldas, rocas de diamantes…

Como vós, ó moças, lá no ceo casaes,
Ellas darão teias para os enxovaes…

Já no setestrello dançam nos terreiros,
Tamboris e violas, frautas e pandeiros…

Já lá vejo os noivos, com S. João á espera,
N'uma ermida branca revestida d'hera…

Ai, dormi, donzellas, ai dormi ao luar,
Que no ceo com anjos vos ireis casar…

Ai, dormi, creanças! que no azul divino
Brincareis alegres com o Deos-menino…

Partirá comvosco, porque é vosso irmão,
A laranja,—o mundo, que lá tem na mão…

Dormi, dormi, sem dor, sem penas…
Dormi, dormi!…
E em vossos leitos florescentes,
De rosas brancas e assucenas,
Caiam dormentes,
Caiam exanimes, trementes,
Graças do baptismo do luar alvissimo!
Beijos do noivado do luar purissimo!
Lagrimas da morte do luar tristissimo!
Canticos d'exequias, orações dolentes
Do luar santissimo!…