SCENA VI

Entram Ciganus e Opiparus acompanhando o fantasma, em meio de escudeiros armados e com archotes. O doido aparece tal qual o descrevemos: enorme, cadavérico, envolto em farrapos, as longas barbas brancas flutuando. Numa das mãos o bordão. Na outra um vélho livro em pedaços. Lembra um doido e um profeta, D. Quixote e o rei Lear. O olhar, cavo e misterioso, é de sonâmbulo e de vidente. O rei empalidece como um sudário. Os cães ululam, furiosos e trémulos.

CIGANUS:

Eis o doido… É curioso êste Matusalem…
Como se chama? onde nasceu? de onde vem?
Ignora tudo… Canta e soluça…

OPIPARUS:

De resto,
Não tem fúrias, nem anda armado: um doido honesto.

O REI:

Que estafermo!… que monstro!… Um espião, talvez…

OPIPARUS:

Deixou-se maniatar, prender, qual uma rês
Submissa… Não, um doido…