Desviado o genio portuguez por uma direcção suprema e systematica para as navegações e conquistas do Oriente, quando o cyclo da sua actividade ali estava quasi fechada, elle volta de novo a sua attenção para o campo em que por tanto tempo o detiveram as suas crenças legendarias; embora já então perlustrado por outros povos e sem fundamento para taes crenças.
Foi n'estas circunstancias que foi escripto o presente opusculo, cujo pomposo titulo, dá idea d'um trabalho muito mais importante do que na realidade é.
Uma noticia contem elle importantissima, qual é a do estabelecimento de uma colonia portugueza na ilha do Cabo-Bretão, nos fins do primeiro quartel do seculo decimo sexto.
Conhecido apenas pelo que d'elle diz a «Bibliotheca Lusitana», era julgado perdido desde o terremoto de Lisboa.
Felizmente, porem, havia mais exemplares nas bibliothecas das Provincias.
No deposito de livros provenientes das livrarias de alguns dos extinctos conventos, e hoje encorporados na Bibliotheca da Universidade, appareceram dois. Nos papeis politicos e historicos, ms., n.o 620 da actual numeração, e 175 do antigo deposito; e tambem na Miscellanea, ms. n.o 135 do antigo deposito.
Tendo conhecimento deste facto, o nosso fallecido amigo e illustre açoriano, José de Torres, fez-nos d'elle communicação em maio de 1865.
Logo nos dirigimos ao nosso conterraneo, então estudante em Coimbra, o sr. doutor Manuel Ignacio da Silveira Borges, pedindo-lhe uma copia d'elle; em breve nol-a remetteu tirada pela sua propria mão.
Destinava-mos effectuar a sua publicação, como annotação, na Memoria sobre Gaspar Corte Real, que pertendemos dár á luz; porem tendo-se casualmente sabido da sua existencia na nossa mão, fasemol-o agora em separado para satisfaser-mos a certa espectação e instancias d'amigos.