[5] pagina 6 linha 1.
Sem pertender-mos alterar a denominação actual d'esta ilha, nem a esta indicar nova origem, lembraremos comtudo a proposito da palavra britão a seguinte passagem da Azurara, na Chronica de Guiné, pag. 304:
«E porque em terra eram tantos d'aquelles Guineus, que por nenhum modo podiam sahir em terra de dia nem de noite, quiz Gomes Pires mostrar que queria sahir entre elles por bem; e poz na terra um bollo e um espelho e um folha de papel no qual debuxou uma cruz. E elles quando vieram, e acharam alli aquellas cousas britaram o bollo e lançaram-no a longe, o com as azagaias atiraram ao espelho até que o britaram em muitas peças e romperam o papel, mostrando que de nenhuma d'estas cousas não curavam.»
[6] pagina 6 linha 6.
Ainda que o autor só genericamente diz que reforçaram a colonia alguns casaes tomados de passagem nas ilhas dos Açores, parece-nos que o seriam unicamente na ilha Terceira, pelas estreitas relações de familia e de commercio que então havia entre ella e Viana.
A provincia do Minho foi das que mais concorreram para a colonisação d'aquella ilha. Sam diversas as antigas familias terceirenses procedidas e ligadas com familias de Viana. D'ali veio Rodrigo Affonso Fagundes, da propria casa do Outeiro, e delle procedeu larga e mui distincta posteridade. Sua terceira neta Beatriz Fernandes de Carvalho, casou em 1546, com Pedro Pinto, de Viana; casa depois ali denominada da Carreira, e hoje representada pela exm.a senr.a D. Maria Izabel Freire d'Andrade, de Lisboa, que por via d'aquella alliança ainda hoje possue n'aquella ilha e na de S. Jorge uma grande casa.
O mesmo sr. conde de Bretiandos ainda hoje possue casa na Terceira, procedida de D. Maria de Souza mulher de Damião de Souza de Menezes, irmã de Gonçalo Vaz de Souza instituidor sem geração filhos ambos de Antonio de Souza Alcoforado e de Cecilia de Miranda da Ilha Terceira.
[7] pagina 7 linha 3.
João Affonso. É este nome bem conhecido na historia maritima de França, como marinheiro, hydrographo e geographo. Deixou uma Hydrographia ms., hoje existente na Bibliotheca Nacional de Paris. D'ella se publicou um extracto em 1559, tempo em que já era morto o autor, com o titulo de--Voyages aventureux du capitaine Jean Alphonse, Saintongeois.--Foi em Saintonge, perto de Cognac, que elle estabeleceu o seu domicilio; d'ahi o appellido de Saintongeois com que o vemos tratado depois de sua morte, qualificação que ficou servindo de titulo á pertenção franceza de o haverem por seu conterraneo.
Léon Guérin, tratando de João Affonso no seu livro intitulado--Les Navigateurs Français,--não occulta que Charlevoix «por falta de estudo a este respeito, e depois d'elle muitos autores francezes, dizem ser nascido em Portugal ou na Galliza, asserção esta, de que os estrangeiros e em particular os portuguezes, altivos por sua antiga gloria maritima, se assenhorearam para juntar este navegador aos que illustraram o seu paiz.»