É romantica, de um lirismo infinito e dôce, uma morte assim, sob os raios agonisantes dêste sol outoniço...

Á noite, sentado á minha mesinha de estudante, depois de estudar as minhas lições (—noites beatificas; luar e estrelas; paz infinita nos céus e paz nas coisas dormentes...)—pensei em ti. Muita vêz, meu desditoso amigo. E orei pela tua alma...

Depois, a horas mortas, surgiram-me no cérebro escandecido mil impressões dolorosas—como litânias esfarrapadas do folhido agonizante...

O anjo da poesia abriu a áza branca, e deu-me um beijo de febre. E eu cantei...

Os meus versos?—Aqui os tens. São a expressão da vida. Tristes, amargos e tristes, como as antífonas roucas dos mendigos aos portais dos milionários...

Bem sei que tu não os lês. Ninguem os lerá talvez...

Ou antes, ninguem os lerá senão tu... Que importa?—Hei-de lê-los eu, mais tarde, sosinho, quando já fôr velho (Ai!—se lá chegar...)

Este ramilhetinho de floritas bravías ha-de ter um perfume sempre novo para a minha alma alanceada... E talvez então eu chore, com estes meus olhos míopes, hoje tão sêcos de febre!

Já não ha luar. Nuvens e chuva... O vento geme lá fóra, ali nos castanheiros (nos nossos castanheiros, ó Faustino!) o Dies irae das tempestades eternas...

Ai! o vento...—É bem a expressão formidavel do desespêro do mundo.