Um estudo completo do povo português comprehenderia os seguintes elementos:

I. A terra.
1. A constituição geologica do solo.
2. A riqueza mineralogica do solo.
3. A geographia physica.
4. A meteorologia.
5. A flora.
6. A fauna.

II. O homem.
1. Caracteres somaticos.
2. Caracteres psychicos.

III. A historia.
1. Origens ethnicas (migrações, invasões, etc.)
2. Influencias externas, sem mistura ethnica.
3. Factos historicos reveladores do caracter do povo ou que
sobre elle actuaram.

IV. A vida hodierna.
A. Fórmas da vida pratica.
1. Fórmas individuaes.
a) A alimentação.
b) A habitação.
c) O vestuario e as armas.
d) O trabalho (processos, productos, etc.)
2. Fórmas individuo-sociaes.
a) A organisação economica do trabalho.
b) O commercio.
c) Associações, companhias, confrarias, (antigas corporações
de officios, como appendice).
d) A linguagem, os gestos, a escripta (tentativas,
independentes da graphia corrente, etc.)
e) O decoro, o porte pessoal.
f) As fórmas de polidez e de respeito (cumprimentos, saudações,
etc.)
g) O jogo (passagem para as fórmas artisticas).
3. Fórmas sociaes.
a) A familia (casamento, criação e educação dos filhos,
organisação domestica, relações parentaes; em
especial vestigios de antigas fórmas de casamento,
etc.)
b) Os laços da sociedade.
c) Sentimento da communidade nacional e politica.
4. Fórmas humanas.
a) Sentimentos de humanidade em geral.
b) A amizade.
c) A hospitalidade.
d) A beneficencia.
e) Relações internacionaes.
B. Fórmas da vida artistica (esthetica).
1. Danças.
2. Musica.
3. Litteratura.
4. Desenho, pintura.
5. Esculptura.
6. Architectura.
C. Fórmas da vida religiosa.
1. Crença no sobrenatural, em geral.
2. Vestigios de crenças mythicas, de praticas que se referem
aos cultos pagãos.
3. A crença nos espiritos. Apparições.
4. Superstições diversas.
5. Conceito de Deus, dos anjos e dos santos.
6. O diabo na crença popular.
7. O céu na crença popular.
8. O inferno.
9. Orações.
10. Offerendas.
11. Festas religiosas.
12. Objectos materiaes empregados no culto, nessas festas,
ou que de qualquer modo se ligam ás crenças religiosas.
D. Fórmas da vida especulativa (saber popular propriamente dito).
1. Emquanto ás fontes.
a) Observação, experiencia.
b) Conversação, tradição.
c) Reflexão.
2. Emquanto ao objecto.
a) A natureza.
b) O homem.
c) As causas ultimas.

Não é aqui o logar de defender essa classificação, naturalmente sujeita a criticas, nem de indicarmos como fomos levados a estabelelecê-la, o que tencionamos fazer noutra parte. Observaremos que, como noutras classificações, póde nessa um mesmo objecto entrar em mais de uma divisão, segundo o modo por que é considerado. As fórmas individuaes da vida, possiveis ao homem isolado, como a um Robinson na sua ilha, desenvolvem-se sob a acção social por certo e é dentro do meio social que aqui são introduzidas, mas a classificação não deixa por isso de ter base.

Muitas das divisões do programma não podem ser representadas na exposição senão por descripções, analyses, estudos, isto é, litterariamente, por não se referirem a objectos materiaes; das que o podem ser pelos proprios objectos materiaes ou modelos, entendemos que a exposição deve attender principalmente ás sub-divisões da classe IV, A vida hodierna, que estão nesse ultimo caso. O que entra nas divisões I a III, com excepção dos typos populares vivos, será representado sobretudo por livros, memorias, notas, impressos ou manuscriptos, e reproducções graphicas, mappas e objectos analogos.

No desenvolvimento que segue não nos cingimos com todo o rigor á classificação apresentada acima, por vantagem pratica.

DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMMA

Nas indicações que vamos apresentar não pretendemos de modo nenhum ser completos, mas sim dar ideia sufficientemente clara do que se deseja fazer. Ficamos longe de mencionar todos os objectos que podem figurar na exposição.