1640.
Com grandes exforços e muitos sacrificios consegue-se reunir tropa no Rio Grande do Norte sob os chefes Camarão, Henrique Dias, Barbalho e Vidal; os quaes voão em auxilio da Bahia.--Chega á Bahia e toma posse o novo Governador Geral D. Jorge Mascarenhas, Marquez de Montalvão, condecorado com o titulo de Vice-Rei do Brazil.--Em S. Paulo os Procuradores de todas as Villas e Camaras (por accordo de 13 de Julho) expulsão da Capitania os Jezuitas.--Nova época se prepara para o Brazil. A tyrannia de Olivarez, Ministro do Rei, a de Miguel de Vasconcellos, Vice-Rei de Portugal, e a oppressão em que vivião os povos excitão o desejo de liberdade e independencia. Assassinado Miguel de Vasconcellos em Lisboa, sacode Portugal o jugo ferreo de Hespanha (1.º de Dezembro).--He acclamado Rei o Duque de Bragança D. João IV.
1641.
Chegando ao Brazil tão grata noticia, entra de novo no dominio Portuguez, á excepção do territorio occupado pelos Hollandezes.--O Vice-Rei Montalvão é injustamente preso por suspeito e enviado para Lisboa, onde é mui bem acolhido pelo Rei. Governa o Brazil huma Junta Provisoria, composta de 3 membros.--Conclue-se na Europa huma trégoa de 10 annos entre Portugal e Hollanda; porém, como ella não devia ser publicada senão hum anno depois de ratificada, o Principe Nassau conquista, já durante a trégoa, a ilha de Maranhão e Sergipe.
1642.
Os Hespanhóes desejando conservar S. Vicente á corôa de Hespanha (ou antes, querendo os Vicentistas constituir-se em Estado Independente, como com melhor fundamento opinão alguns Escriptores) tentão acclamar Rei Amador Bueno da Ribeira. Este porém nobre e heroicamente recusa tal offerta; e retirando-se ao Mosteiro dos Benedictinos afim de pôr em segurança sua pessoa consegue acclamar e fazer reconhecer como legitimo soberano D. João IV. Em consequencia S. Vicente manda prestar juramento de fidelidade ao Rei.--Chega ao Brazil o novo Governador Geral Antonio Telles da Silva.--Publica-se a trégoa entre Hollanda e Portugal: cessão as hostilidades no Brazil, e Mauricio cuida unicamente na prosperidade da colonia.
1643.
Á sombra da paz florecia e prosperava rapidamente a colonia Hollandeza sob o governo sabio do Principe Mauricio, quando suspeitas mal fundadas o fazem chamar á Europa. Entrega portanto o governo ao Grão-Conselho do Recife, composto de tres cidadãos; e faz-se á vela para Hollanda (22 de Maio).--A sua ausencia, a fraqueza e má administração do novo Governo trazem a decadencia da colonia, e excitão nos Portuguezes o desejo de liberdade. Antonio Moniz Barreto (ou Barreiros, segundo outros) no Maranhão dá o signal, sacodindo o jugo estrangeiro: o Ceará o imita. Feliz incentivo para os de Pernambuco!
1645.
João Fernandes Vieira trama em Pernambuco huma temivel conspiração contra os invasores. Mas desejando o apoio do governo, participa a sua resolução ao Governador Geral; o qual procedendo prudentemente envia André de Vidal Negreiros afim de examinar o estado das cousas e entender-se com Vieira. Vidal conforma-se em tudo com Vieira e exhorta-o a proseguir em tão gloriosa empreza. Descoberta a conspiração por denuncia que ao Grão-Conselho derão dous conjurados, Vieira corre ás armas abandonando o Recife.--Encontra-se Vieira com as tropas Hollandezas ao mando de Henrique Huss junto ao monte Tabocas (3 de Agosto): o Chefe inimigo é completamente derrotado e obrigado a retirar-se para o Recife.--Chega a Pernambuco huma frota enviada por Telles da Silva sob o commando de Serrão de Paiva; nella vinhão tropas ao mando de Vidal em favor dos insurgentes sob pretexto de os reduzir á ordem. Vidal reune-se a Vieira, ao qual já se havião reunido Camarão e Dias.--Outra esquadra sahida do Rio de Janeiro ás ordens de Salvador Corrêa de Sá reune-se á de Paiva em Pernambuco; porém logo depois se separa.--No entanto huma armada Hollandeza commandada pelo Almirante Cornelio Lichtart destroe em Tamarandé a de Paiva, que é feito prisioneiro.--A revolução lavra por todas as outras possessões Hollandezas no Brazil, e por toda a parte Vieira é reconhecido o chefe della.